Cientistas propõem calendário fixo, com semana adicional a cada 5 ou 6 anos

Segundo autores, isso facilitaria planejamento e traria benefícios econômicos

Efe,

28 de dezembro de 2011 | 16h47

 Um astrofísico e um economista da Universidade Johns Hopkins, dos Estados Unidos, começam nesta semana uma campanha para a adoção internacional de um "calendário fixo", no qual os anos são idênticos e no qual se incluiria um dia semanal de descanso e uma semana adicional a cada cinco ou seis anos.

Sob o calendário o novo, por exemplo, se o Natal neste ano caiu num domingo, isso também aconteceria em 2012 ou em 2014, sem mudanças.

"A ideia deste calendário já foi apresentada na Liga das Nações", disse o astrofísico Richard Conn Henry à Efe.

Isso aconteceu na década de 1920 e logo, segundo ele, houve outra tentativa de convencer as Nações Unidas sobre a conveniência de um calendário no qual as festas e aniversários caiam, para sempre, nos mesmos dias da semana.

"Mas os dois calendários propostos teriam uma falha fatal: eles quebravam o ciclos de sete dias, com a jornada semanal de descanso, primordial em todas as religiões", esclarece Henry.

"Nosso Sistema divide o ano em doze meses e quatro trimestres, e não possui anos bissextos, mas acumula os dias extra para uma semana adicional a cada cinco ou seis anos", explicou.

Henry diz que a tarefa de promover a ideia junto aos governos ficará com seu colaborador, o economista Steve Hanke, da Escola Whiting de Engenharia.

"Nosso plano é oferecer um calendário estável que seja absolutamente idêntico ano a ano e que permita planejar de forma permanente e racional as atividades anuais, desde os cursos escolares até as férias", explica.

"Imagine quanto tempo e esforço são gastos a cada ano redesenhando o calendário para cada pequena organização ou grupo no mundo. Nosso calendário tornaria a vida mais fácil", diz. "Os benefícios econômicos também seriam enormes. O calendário simplificaria os cálculos financeiros", defende.

Para determinar os juros, por exemplo, mercados futuros, câmbios e outras operações financeiras é preciso fazer a conta de dias.

"O calendário atual está cheio de anomalias que levaram ao estabelecimento de uma ampla gama de convenções que tentam simplificar cálculos de juros". O novo teria um padrão trimestral de 91 dias, o que elimina a necessidade de convenções para a contagem artificial dos dias", explica.

O calendário atualmente em uso em boa parte do mundo, chamado Calendário Gregoriano, está em vigor desde 1582 quando o Papa Gregório alterou o calendário instituído por Julio César no ano 46 a. C.

Para sincronizar o calendário de César com as estações, os especialistas retiraram 11 dias de outubro, de forma que, naquele ano, o dia 4 de outubro foi sucedido pelo dia 15 de outubro. O ajuste era necessário para lidar com o mesmo problema que torna difícil desenhar um novo calendário prático e eficaz: o fato de cada ano contém, na realidade, 365,2422 dias.

Esse é o tempo que a Terra demora para completar a órbita em torno do Sol, e para compensar a fração do dia (0,2422), o calendário gregoriano somou um dia a cada quatro anos - o ano bissexto.

Pode-se ver uma representação do Calendário Permanente Hanke-Henry no endereço http://henry.pha.jhu.edu/ccct.calendar.html.

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