Cientistas retornam ao Titanic para fazer mapa 3D do naufrágio

Restos do navio, afundado em 1912, serão tratados como 'uma cena de crime', diz oceanógrafo

Associated Press

27 Julho 2010 | 14h13

A proa do Titanic, repousando no fundo do Oceano Atlântico. Ralph White/AP

 

Uma equipe de cientistas lançará uma expedição ao Titanic no próximo mês, para avaliar as condições do mais famoso naufrágio do mundo e criar um detalhado mapa 3D que "virtualmente tirará o Titanic do fundo do mar para o público".

 

A expedição ao local a 4 km de profundidade sob o Oceano Atlântico está sendo apresentada como a mais sofisticada expedição científica ao Titanic desde a descoberta dos restos do navio, há 25 anos.

A jornada de 20 dias deve partir de St. Johns, na província canadense de Terra Nova, numa parceria entre a RMS Titanic Inc., empresa que tem os direitos de resgate do navio, e a Instituição Oceanográfica Woods Hole, dos EUA.

 

A expedição não fará coleta de artefatos, mas sondará o campo de destroços de 3 km por 5 km, onde milhares de objetos permanecem espalhados. 

 

Alguns dos visitantes mais frequentes do local farão parte da expedição, ao lado de importantes cientistas submarinos e de organizações como a Administração Nacional de Atmosfera e Oceano (NOAA) dos Estados Unidos.

 

Os organizadores afirmam que os dados e imagens ficarão, no fim, disponíveis para o público.

 

"Pela primeira vez, realmente vamos tratar isso como um sítio arqueológico, com duas coisas em mente", disse o cientista David Gallo, um dos líderes da expedição. "Uma é preservar o legado do navio, ao melhorar a história do Titanic em si. A segunda é entender exatamente qual o estado do navio".

 

O Titanic bateu com um iceberg e afundou em sua viagem inaugural em águas internacionais, em 15 de abril de 1912, deixando 1.522 mortos. 

 

Desde que o oceanógrafo Robert Ballard e uma equipe internacional descobriram o Titanic em 1985, a maioria das expedições dedicou-se a fotografar o naufrágio ou recolher artefatos, como louça, sapatos e peças do navio.

 

O cineasta James Cameron, diretor do filme Titanic, também levou equipes ao local do naufrágio para gravar a proa e a popa, que se separaram durante o afundamento e hoje estão separadas por 500 metros.

A equipe de oceanógrafos, arqueólogos e outros pesquisadores vai agora fazer uma avaliação das duas seções do navio, que estão submetidas a correntes marítimas, água salgada e à pressão do fundo do oceano.

 

A expedição usará tecnologias de imagem e sonar que nunca tinham sido aplicados ao Titanic e para sondar quase 100 anos de sedimentos acumulados, a fim de obter o mais completo inventário possível do conteúdo do navio. "Estamos tratando isso como uma cena de crime", disse Gallo.

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