Nasa/Divulgação
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Cientistas russos adiam busca de água mais pura e antiga do mundo

Perfuração não teve tempo de chegar ao lago antes que a temperatura do gelo antártico começasse a cair

Efe,

08 Fevereiro 2011 | 11h44

MOSCOU - Cientistas russos adiaram para dezembro a busca pela água mais pura e antiga do planeta no lago Vostok, situado abaixo do gelo da Antártida, informou nesta terça-feira à Agência Efe Valeri Liukin, chefe da expedição.

 

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"Não tivemos tempo de chegar ao lago antes que a temperatura do gelo antártico começasse a cair", assinalou Liukin, subdiretor do Instituto de Pesquisas Árticas e Antárticas, com sede em São Petersburgo.

 

Liukin explicou que outro motivo da suspensão dos trabalhos de perfuração da expedição russa é que não se sabe a profundidade que o lago se encontra, em princípio situado sob uma camada de gelo de cerca de 3.750 metros.

 

"Ninguém sabe com exatidão a profundidade. Calculamos por método sísmico e por radiolocalização e detectamos uns 3.750 metros, mas há uma margem de erro de 20 metros, por isso poderiam ser 3.730 ou 3.770", apontou.

 

Segundo o cientista, outro fator que causou o adiamento "foi a diminuição do ritmo de perfuração dos quatro metros por dia previstos para 1,6", apesar de no último mês terem sido perfurados uma média de 2,43 metros diários.

 

"Devido à alta pressão e à queda das temperaturas, se formaram cristais de gelo que obstruíam o avanço da perfuradora, o que nos obrigou a suspender a expedição até o final do ano", disse.

 

No entanto, Liukin não acredita que isto seja um "grave problema" e se mostrou confiante de que os cientistas conseguirão alcançar a superfície do Vostok, lago que ficou vedado durante milhões de anos, no final deste ano ou no início de 2012.

 

"Provavelmente trata-se de água mais pura e antiga do planeta. Não temos provas concretas, mas dados de que a superfície é estéril, embora no fundo do lago deva haver formas de vida como termófilos e extremófilos (microorganismos que vivem em condições extremas)", comentou.

 

Segundo Liukin, os resultados da prospecção do lago antártico serão fundamentais para o estudo da mudança climática na Terra durante os próximos séculos, já que o Vostok é uma espécie de termostato que se manteve isolado do resto da atmosfera e da superfície da biosfera durante milhões de anos.

 

Além disso, ressaltou que os expedicionários "têm certeza de que o Vostok abriga água" desde quando atingiram a profundidade de 3.583 metros, já que a partir daí o gelo se forma não a partir da neve, mas da evaporação de água.

 

Com cerca de 300 quilômetros de comprimento, 50 de largura e quase mil metros de profundidade em algumas áreas, o Vostok é uma massa de água doce em estado líquido que se encontra no epicentro do sexto continente, como é conhecida a Antártida.

 

Com uma superfície de 15.690 quilômetros quadrados, similar à do Baical, a maior reserva de água doce do mundo, é o mais extenso lago subterrâneo entre os mais de cem que se encontram sob o gelo antártico.

 

Descoberto em 1957 por cientistas soviéticos, foi incluído na lista dos achados geográficos mais importantes do século XX.

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