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Cientistas testam remédio que pode inibir ação do zika no cérebro

Medicamento é promissor na redução da perda de células neuronais nos fetos; pesquisa usou minicérebros infectados

Clarissa Thomé, O Estado de S. Paulo

11 Abril 2016 | 17h07

RIO - Cientistas da Universidade Federal do Rio (UFRJ) e do Instituto D’Or de Ensino e Pesquisa estão testando medicamentos que podem inibir a destruição pelo vírus da zika das células neuronais em fetos. Pelo menos um medicamento, entre dez já testados, se mostrou promissor, informou o neurocientista Stevens Rehen. Esse remédio já é aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e tem indicação para ser usado por grávidas. 

Os pesquisadores esperam publicar nos próximos dois meses um estudo sobre a atuação do remédio, caso os efeitos iniciais sejam comprovados. Não há ainda informação se o medicamento inibe a replicação do vírus. Os pesquisadores estão analisando de suplementos a antivirais, mas preferem não informar os produtos para evitar automedicação da população. 

O anúncio foi feito durante o lançamento de uma pesquisa que será publicada nesta semana pela revista científica Science sobre o efeito do zika em modelos que representam o cérebro de fetos no segundo mês de gestação. O trabalho mostrou a destruição de células neuronais e a redução do crescimento em 40%. “O resultado é equivalente ao que é observado nas crianças com microcefalia. Agora, nós temos um bom modelo para testar possibilidades de tratamento”, afirmou Rehen, coautor da pesquisa. O estudo foi liderado pela professora do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ Patrícia Garcez, especialista em microcefalia.

Os pesquisadores infectaram minicérebros, estruturas de menos de 2 milímetros obtidas a partir de células-tronco. Elas têm as camadas, os ventrículos e as características anatômicas observadas em um cérebro.

O minicérebro foi infectado com o vírus da zika no 35.º dia de desenvolvimento (que seria equivalente ao feto no 2.º mês de gestação) e teve a taxa de crescimento acompanhada pelo período de 11 dias. O resultado foi a redução do crescimento, comparado ao minicérebro não infectado. É nessa fase do desenvolvimento que começa a ser formado o córtex, área nobre do cérebro. 

Rede. Essa pesquisa surgiu da formação de redes para o estudo de zika e microcefalia, criadas com base em edital da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio (Faperj). O lançamento da rede ocorreu pouco antes do carnaval.

“Desde o primeiro experimento à submissão à Science passaram-se 25 dias. Isso reflete o que é a comunidade científica brasileira”, afirmou Rehen. Por causa da crise financeira que afeta o Estado, porém, as verbas para a pesquisa (cerca de R$ 400 mil) ainda não foram liberadas. Os bolsistas também estão com pagamento atrasado. A previsão é de que o financiamento comece a ser liberado neste mês.

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