Cientistas transformam células em predadores de tumores

Cientistas americanos conseguiram transformar células normais em "predadores" de tumores, que eliminaram qualquer sinal de melanoma (câncer de pele) em dois homens que já haviam passado pelos métodos tradicionais de tratamento, como quimioterapia. É a primeira vez que uma terapia genética tem casos bem-sucedidos no combate à doença. Os pacientes tinham melanomas agressivos, tipo de câncer que mata milhares de pessoas por ano e com taxa alta de reincidência. Eles regrediram e sumiram um ano depois do tratamento e o sucesso foi mantido durante o ano seguinte. Os cientistas continuarão a acompanhá-los. A terapia ainda é experimental, pouco efetiva (de 17 voluntários, 15 não apresentaram a mesma resposta) e só funciona para melanoma. Mas o Instituto Nacional do Câncer dos EUA comemora o feito, pois atacou o tumor em seu pior estágio, quando se espalha pelo corpo, ao contrário de outras estratégias que focam um único tumor. O governo espera testar a técnica em alguns pacientes que sofrem de cânceres mais comuns, como o de mama. A esperança é que, um dia, o tratamento forneça uma supressão dos tumores a longo prazo. "Não é como a quimioterapia ou a radioterapia, que uma vez terminada não há mais o que fazer", diz Steven Rosenberg, líder da pesquisa que foi detalhada no site da revista Science (www.sciencemag.org). "Damos células vivas que continuam a crescer e funcionar no corpo." A técnica é simples e engenhosa. Ela "ensina" as células brancas a achar o tumor com receptores específicos ao antígeno do câncer, que sofre então um ataque. As células brancas chamadas linfócitos T são especialistas em exterminar germes do corpo. Mas células cancerosas passam como saudáveis, invisíveis aos linfócitos. Em 2002, Rosenberg descobriu que alguns pacientes com melanoma carregam linfócitos T especializados em atacar o tumor. Ele separou essas células do sangue, cultivou bilhões delas em laboratório e as reinseriu no corpo deles. Cerca de metade mostrou uma melhora significativa. Mas nem todos os pacientes produzem um número mínimo desses linfócitos para serem detectados em exames de sangue. Foi quando ele decidiu fabricá-los. Continuidade - "Estou curado", disse um dos pacientes, Mark Origer, de 53 anos. "Sei como sou afortunado por ter respondido ao teste. Nem todos tiveram a mesma sorte." Só ele e outro homem, de 30 anos, eliminaram os tumores. Nos outros 15 casos, o número de células modificadas foi baixo. Por que apenas duas pessoas responderam ao tratamento? Patrick Hwu, da Universidade do Texas, arrisca dois motivos: há muitos tipos de linfócitos T e pegar os ideais para alterá-los geneticamente é muito difícil, ou talvez receptores mais precisos sejam necessários. "Mas são todas questões solucionáveis." "Temos de ser cautelosos para não criar expectativas grandes. Mas é empolgante e prova que o conceito funcionará", diz Len Lichtenfeld, da Sociedade Americana de Câncer.

Agencia Estado,

01 de setembro de 2006 | 10h15

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