Cigarros light afetam o cérebro como os normais, diz estudo

Cigarros desnicotinizados e de baixo teor ocupavam 26% e 79% dos receptores do cérebro, respectivamente

da Redação,

26 de setembro de 2008 | 18h59

Estudo realizado pela Universidade da Califórnia, Los Angeles (UCLA) mostra que os cigarros light enviam ao cérebro do fumante praticamente a mesma dose de nicotina que os cigarros normais. A ação da nicotina sobre o cérebro é a principal acusa do vício do tabaco.   Em artigo publicado na edição online da revista International Journal of Neuropsychopharmacology, uma equipe liderada pelo psiquiatra Arthur L. Brody descreve como os cigarros de baixo teor de nicotina agem de forma semelhante aos normais, ocupando um porcentual significativo dos receptores de nicotina do cérebro.   Cigarros light têm de 0,6 a 1 miligrama de nicotina, enquanto que os normais têm de 1,2 a 4 miligramas. Os pesquisadores testaram, ainda, os cigarros desnicotinizados, que estão sendo testados em tratamentos para parar de fumar e têm 0,05 miligrama. Eles descobriram que mesmo esse nível basta para ocupar uma porcentagem razoável de receptores.   "As duas informações principais são que muito pouca nicotina é necessária para tomar uma parte substancial dos receptores cerebrais", disse Brody, "e que os cigarros com baixo teor de nicotina ainda assim ocupam a maioria dos receptores. Portanto, nesse aspecto os cigarros de baixo teor funcionam quase da mesma forma que os normais".   Uma vez no cérebro, a nicotina se liga a moléculas específicas e imita a função da  acetilcolina, uma molécula que estimula a liberação de uma substância, a dopamina, que provoca uma sensação de prazer. A nicotina, no entanto, leva à liberação de mais dopamina.   "Muitos cientistas acreditam que esse é o principal fator que torna a nicotina tão viciante", explica Brody. Quinze fumantes tomaram parte no estudo. Eles foram submetidos a tomografia por emissão de pósitrons, uma técnica que usa uma substância radioativa para marcar moléculas específicas. Nesse caso, o marcador foi projetado para se ligar aos receptores de nicotina do cérebro.   Os dados mostraram que cigarros desnicotinizados e de baixo teor ocupavam 26% e 79% dos receptores, respectivamente.

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