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Nicolas Bock/Bloomberg
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51 pessoas recebem vacina da covid-19 em vez de imunizante contra gripe em dois municípios de SP

Em Diadema, foram cinco crianças; já em Itirapina, no interior de SP, foram 18 adultos (entre eles, duas gestantes) e 28 crianças imunizados erroneamente; campanhas ocorrem simultaneamente no País

Renata Okumura, O Estado de S.Paulo

16 de abril de 2021 | 13h39
Atualizado 17 de abril de 2021 | 13h29

SÃO PAULO - Cinco crianças, com idade entre sete meses e quatro anos, receberam equivocadamente a vacina Coronavac no lugar da imunização contra a gripe na Unidade Básica de Saúde (UBS) Jardim das Nações, em Diadema, no ABC Paulista. Caso semelhante também foi relatado em Itirapina, no interior paulista. No entanto, a quantidade de vacinados indevidamente foi maior, sendo 18 adultos (entre eles, duas gestantes) e 28 crianças. Ao todo, 51 pessoas, entre crianças e adultos, receberam a vacina da covid-19 em vez de imunizante contra gripe nos dois municípios de São Paulo.

Diadema

Na quinta-feira à noite, 15, o município de Diadema, por meio da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), afirmou que foi aberto um processo administrativo para apuração dos fatos e das responsabilidades dos envolvidos, para adoção das medidas cabíveis em relação ao ocorrido. Também condenou veemente a aplicação considerada equivocada. "Além disto, a gestão determinou o afastamento imediato das duas funcionárias envolvidas no ocorrido", acrescentou.

Assim que a ocorrência foi identificada, os responsáveis das crianças vacinadas foram convocados na unidade para os devidos esclarecimentos e orientações.

"Todos eles são baseados no documento técnico, do Centro de Vigilância Epidemiológica da Coordenadoria de Controle de Doenças da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, que normatiza a campanha de vacinação contra a covid-19", disse, em nota. 

Todas as crianças serão monitoradas por pelo menos 42 dias. Uma médica da Atenção Básica da SMS foi escalada para realizar esse acompanhamento de perto. 

Ainda de acordo com a secretaria, a aplicação das vacinas da covid-19 e da gripe está sendo feita em salas separadas para que não haja mistura de fluxo dos pacientes. Conforme a pasta, a ocorrência envolvendo cinco crianças foi um caso isolado. A imunização continua sendo realizada normalmente nas 20 UBSs do município de Diadema.

Itirapina

Na última quarta-feira, 14, a Secretaria Municipal de Saúde de Itirapina, durante o controle do estoque das vacinas, percebeu a ausência dessas vacinas. "Imediatamente foi verificada a possibilidade de erro praticado por uma técnica de enfermagem ao separar a caixa contendo os frascos da vacina, o que acabou confirmado, resultando no envio ao local de vacinação, das doses da Coronavac, no lugar das vacinas da gripe (influenza)", disse, em  nota.

Todas as providências na apuração de responsabilidades, na área administrativa e legal, também estão sendo tomadas.

A pasta comunicou à Vigilância Epidemiológica de Piracicaba sobre a falha e solicitou orientações sobre as medidas a serem adotadas. "Todas as providências para a segurança dessas pessoas foram tomadas e, segundo orientação dos médicos especialistas consultados, o fato não traz riscos para a saúde dos envolvidos", afirmou.

Outra medida adotada pela secretaria foi informar pessoalmente todos os vacinados sobre o ocorrido e disponibilizar uma equipe médica para avaliação e orientação, com acompanhamento por 14 dias.

Na quinta-feira, já foram atendidas 26 pessoas, dentre elas, uma gestante, que passou por consulta com clínico geral e um obstetra. No caso das crianças, a avaliação e as orientações também foram feitas por uma pediatra. 

Até o momento não foi relatada nenhuma anormalidade em relação à saúde das pessoas vacinadas indevidamente.

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Lorena de Castro Diniz, coordenadora do Departamento Científico de Imunização da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai) esclarece dúvidas sobre as grávidas e crianças que tomaram vacina da covid-19 em vez da gripe.

Como deve ser o monitoramento?

Essa ocorrência de vacinação em crianças ( menores de 18 anos) neste momento configura o que chamamos na vacinação de erro de imunização e essas deverão ser notificadas e acompanhadas por um período de 30 dias. Já no caso das gestantes, em estudo de mapeamento de evidências nacionais e internacionais sobre recomendações de vacinação de gestantes, puérperas e lactantes para covid-19, a nota técnica aponta que, até o momento, não há contraindicação especificamente relatada que impeça a imunização dessas mulheres com as vacinas em uso no Brasil, mas devem esperar a priorização deste grupo para receber a dose da vacina contra a doença. Essas mulheres devem, no entanto, ser orientadas e avaliadas sobre o risco de exposição e contágio mesmo após receberem o esquema completo contra a covid-19, assim que for disponibilizado para este grupo.

Quais sintomas podem ser apresentados? E o que fazer, caso apresente algum deles?

Os eventos adversos mais comuns foram dor, fadiga, febre, mialgia (dor no corpo), diarreia, náusea e  dor de cabeça. Os profissionais de saúde deverão ficar particularmente atentos para a ocorrência de eventos adversos graves e/ou inusitados. Em sua grande maioria, os eventos adversos graves pós-vacinação não terão associação causal com a vacina, sendo, portanto, necessária uma investigação ampla para a definição do diagnóstico etiológico que explique a ocorrência do evento.

A segunda dose não é recomendada?

As vacinas não estão indicadas para as crianças e adolescentes até 18 anos, indivíduos que forem inadvertidamente vacinados deverão ter seus esquemas encerrados sem que sejam administradas doses adicionais, segundo as recomendações do Ministério da Saúde até o presente momento.

E a partir de quantos dias, a criança ou grávida pode se vacinar contra a gripe? Deve esperar passar a etapa do monitoramento?

As gestantes e crianças podem receber a vacina contra influenza teoricamente a partir de 14 dias após terem recebido inadequadamente a vacina da covid-19, mas ainda não há um posicionamento oficial do Ministério da Saúde em relação a este prazo.

Testes clínicos em menores de 18 anos

No Brasil, as vacinas contra o novo coronavírus são dadas apenas para maiores de 18 anos neste primeiro momento, seguindo a ordem dos grupos prioritários.

Empresas farmacêuticas ainda analisam a eficácia de imunizantes contra o coronavírus em crianças e adolescentes. De acordo com resultados preliminares de testes iniciais a intermediários, a vacina produzida pela Sinovac Biotech, da China, parece ser segura e capaz de provocar reações imunológicas neste público. A informação foi divulgada em 22 de março pela empresa.

A Coronavac é o imunizante que vem sendo usado no Brasil, numa parceria da farmacêutica chinesa com o Instituto Butantan. Os testes foram realizados em mais de 500 crianças e adolescentes entre as idades de 3 e 17 anos.

Na capital paulista, agentes da CET receberam vacina contra covid-19 após erro da Prefeitura

Um erro de comunicação da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo fez com que agentes da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) acabassem furando a fila da vacinação do novo coronavírus na capital paulista. Fora do público alvo, um grupo de servidores chegou a receber a primeira dose do imunizante na terça-feira, 13, antes de o equívoco ser corrigido.

A gestão Bruno Covas (PSDB), no entanto, admite que o aviso foi disparado com erro. Na verdade, os funcionários da companhia estão autorizados a receber a vacina contra a influenza (gripe) desde quarta-feira, 14. 

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