SERGIO CASTRO/ESTADÃO.
SERGIO CASTRO/ESTADÃO.

Clínica em SP sem vacina contra gripe H1N1 também tem fila

Faxineira guarda lugar para patrões e grávida de oito meses esperou duas horas em pé por imunização contra a doença

Isabela Palhares, O Estado de S. Paulo

05 de abril de 2016 | 03h00

SÃO PAULO - Grávida de oito meses, a hoteleira Maria Juliana Ferreira, de 35 anos, enfrentou nesta segunda-feira, 4, duas horas de fila em pé, e 40 minutos sob o sol, para conseguir tomar uma dose da vacina contra o vírus H1N1, em uma clínica particular em Moema, zona sul de São Paulo. Ela disse que estava tranquila e não queria ficar alarmada com medo de contrair a gripe, mas, ao ver conhecidos contaminados, decidiu se prevenir.

“Não quero entrar em pânico, porque com a gravidez a gente já tem várias preocupações, mas decidi que era melhor tomar a vacina agora, e não ter mais de me preocupar com isso”, afirmou Maria Juliana.

O número de mortes por gripe H1N1 no Estado de São Paulo chegou a 55, até o dia 29 de março, cinco vezes mais do que o registrado em todo o ano passado (10 casos). A estatística fez com que muitas clínicas na capital e na Grande São Paulo tivessem alta na procura por vacina. Na clínica em Moema, onde esteve Maria Juliana, a fila começa às 5 horas e são distribuídas senhas para imunizar 500 pacientes por dia. 

“Cheguei à clínica às 6 horas no sábado e as senhas já tinham acabado. Por isso, hoje cheguei às 5h20 para garantir a vacina para mim, meus patrões e a babá que também trabalha para eles”, contou a faxineira Eliane Ferreira da Silva, de 41 anos, que guardava o lugar na fila para os patrões.

Eliane contou que o casal pagou a vacina de R$ 120 para ela e a babá. “A gente cuida do filho deles, que é bebezinho, por isso eles estavam preocupados para que nós também fôssemos vacinadas”, disse Eliane. Ela afirmou que a patroa também pediu para que elas lavem as mãos com mais frequência, usem álcool em gel ao chegar ao trabalho e evitem ter contato com parentes gripados.

Nervosos. A médica Milena Rizzon, sócia da clínica, disse que há cerca de dez dias os pacientes têm formado filas logo cedo. Como são idosos, grávidas e crianças pequenas, não tem sido possível fazer o atendimento preferencial. “Como 70% a 80% das pessoas que vêm tomar a vacina têm direito ao atendimento preferencial, se fizermos uma fila só para elas, o atendimento vai demorar ainda mais. Fizemos alguns testes, e até uma consulta jurídica, e vimos que é melhor não ter atendimento preferencial.”

Milena disse que na semana passada os pacientes estavam tão nervosos por não achar a vacina em outras clínicas que houve confusão e até chamaram a polícia. A clínica contratou seguranças particulares para evitar discussões.

Em uma clínica em Perdizes, na zona oeste da capital, mesmo após o fim das doses, cerca de 30 pessoas continuaram do lado de fora à espera de um novo lote. Amanda Cucato, de 38 anos, tirou os dois filhos, de 3 e 9 anos, mais cedo da escola nesta segunda para tentar a vacinação e não desistiu. “Não acho em lugar nenhum, prefiro esperar aqui e garantir do que ficar rodando. Tenho esperança de que hoje chegue um novo lote”, disse, após mais de 4h de espera. Ela continuava na fila no fim da tarde.

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