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Colégios vão receber filhos de profissionais de saúde do Hospital Albert Einstein

Miguel de Cervantes, no Morumbi, é o primeiro a aceitar a parceria

Renata Cafardo, O Estado de S.Paulo

24 de março de 2020 | 19h12

Escolas particulares de elite vão receber filhos de médicos, enfermeiros e técnicos do Hospital Albert Einstein, enquanto os pais trabalham. A instituição procurou colégio no entorno porque percebeu a necessidade dos funcionários durante a pandemia de coronavírus, já que todas as instituições de ensino estão fechadas. O Colégio Miguel de Cervantes, no Morumbi, foi o primeiro a aceitar a parceria e já começa a receber crianças nesta quarta-feira.

O Einstein questionou os funcionários sobre o interesse e cerca de 300 alunos, entre 3 e 13 anos, foram inscritos. Voluntários que estão sendo recrutados pelo hospital - e não professores do colégio - vão promover atividades como artes, leituras, teatro e educação física, mas sem contato. Eles ficarão na instituição exatamente durante o turno de trabalho dos pais, pela manhã ou pela tarde. O Porto Seguro também já aceitou participar em uma segunda fase do projeto.  

As crianças vão ficar em um espaço de 60 mil metros quadrados, que normalmente abriga mais de 1500 alunos, com quadras esportivas, parques, parquinhos, mini cidades para os mais novos. O Einstein vai fornecer materiais escolares e brinquedos para as atividades para que não sejam utilizados os da escola. Eles serão desinfectados diariamente e os alunos com sintomas de gripe não poderão participar.

“Estamos recebendo muita oferta de ajuda, de pessoas, de pais de várias escolas, de doação de brinquedos”, diz o diretor de ensino do hospital, Felipe Spinelli de Carvalho. De acordo com ele, as salas serão divididas por idade, com no máximo dez crianças, e cuidado para que não haja contato entre elas.

Haverá também cinco refeições, bancadas pelo hospital, e momentos destinados às atividades a distância enviadas pelas escolas que os alunos frequentam. São crianças e adolescentes que cursam normalmente tanto escolas públicas quanto privadas. As menores de 3 anos continuarão na creche do hospital, que teve autorização do governo para continuar funcionando. “A ideia é evitar o burnout desses funcionários durante a crise. São pais e mães que ambos trabalham na saúde, mães solteiras ou outros que não têm apoio familiar e amigo que possa ajudar.”

O Miguel de Cervantes fica a pouco mais de 1 quilômetro do Einstein e é ligado ao governo da Espanha. O colégio avisou nesta terça-feira da parceria e houve preocupação em grupos de pais. Alguns chegaram a questionar o perigo de utilizar as instalações depois que a crise passar.

A diretora geral da escola Lourdes Ballesteros diz, no entanto, que a maioria apoiou a iniciativa. “É um compromisso social, a crise é mundial, não podíamos dizer não. Estamos felizes em ajudar essas famílias.” Na Europa também há iniciativas semelhantes de grupos que têm se organizado para cuidar dos filhos de profissionais da saúde. 

 

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