Colocando a cegueira em foco
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Colocando a cegueira em foco

O fortalecimento de políticas públicas voltadas à prevenção de doenças da visão poderia evitar entre 70% e 80% dos casos de cegueira

Novartis, Estadão Blue Studio
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10 de dezembro de 2021 | 15h00

Segundo estudo publicado há pouco mais de um ano na revista médica The Lancet e conduzido por um grupo de pesquisadores ligado à Universidade Anglia Ruskin, a quantidade de pessoas que convivem com a cegueira no mundo deve subir nos próximos 30 anos dos atuais 43,3 milhões para 61 milhões2. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 70% a 80% dos casos de deficiência visual são evitáveis3.

A catarata, doença que causa a perda de transparência do cristalino (a lente que permite que o olho foque em diferentes distâncias), é responsável pela maioria dos casos de perda de visão no mundo. Se diagnosticada precocemente, pode ser corrigida com uma cirurgia relativamente simples, com excelentes resultados visuais aos pacientes.

A relevância do diagnóstico precoce das doenças que levam à perda da visão e o fortalecimento de políticas públicas para tratar essa questão foram os temas do webinar “Visões raras: podemos mudar o curso dessa história? O impacto da cegueira para o paciente, familiares e sociedade”, realizado na última segunda-feira (6) pelo Estadão Blue Studio, com o patrocínio da Novartis. A apresentação coube à jornalista Rita Lisauskas.

“Existem várias doenças que levam a quadros irreversíveis [de cegueira]”, explicou a coordenadora médica da Laramara - Associação Brasileira de Assistência à Pessoa com Deficiência Visual - e chefe do Setor de Reabilitação Visual do Hospital das Clínicas, dra. Maria Aparecida Haddad. “É o caso, por exemplo, do diabetes, que pode gerar alterações retinianas importantes. E a perda da visão é paulatina. Muitas vezes, quando a pessoa percebe a alteração, o quadro já é grave”, completou.

Além de doenças crônicas, como o diabetes, há doenças raras e genéticas que também levam à perda da visão e que atingem cerca de 1,3 a cada 2 mil indivíduos.

“É um grupo muito grande de doenças”, alertou a professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) dra. Juliana Sallum, ressaltando que, por não serem comuns, fazem com que o diagnóstico seja desafiador e muitas vezes demore anos para ser fechado.

Diagnóstico precoce

O ideal é que a primeira consulta com o oftalmologista seja feita ainda no primeiro ano de vida e que a família fique atenta ao comportamento das crianças – tropeços e quedas muito frequentes, fotofobia ou necessidade de aproximar os objetos muito perto dos olhos são sinais que não podem ser desprezados. Se os primeiros sintomas forem deixados de lado, o diagnóstico de alguma doença da visão pode tardar e impactar a alfabetização. “Aí pode ser mais difícil tratar”, afirmou a oftalmologista Maria Aparecida Haddad.

Garantia de acesso

Políticas públicas que favoreçam o diagnóstico e o tratamento precoces são fundamentais, afirmou o vice-presidente do Conselho Brasileiro de Oftalmologia, dr. Cristiano Umbelino. Para ele, essa especialidade deveria fazer parte do atendimento básico de saúde. “O Conselho quer incluir a oftalmologia na atenção primária. Com uma triagem bem-feita, consegue-se diminuir a fila na atenção especializada”, ressaltou. Segundo o médico, o Brasil tem um médico oftalmologista para cada 9 mil habitantes, índice bem acima do que recomenda a OMS, de um para cada 17 mil

A maioria desses profissionais, contudo, está concentrada nos grandes centros e nas Regiões Sul e Sudeste, o que impacta o atendimento daqueles que moram fora desses locais.

Colocar oftalmologistas para atender nas Unidades Básicas de Saúde faria muita diferença na duração da busca dos pacientes por diagnóstico e tratamento, afirmou a vice-presidente da Retina Brasil, Maria Antonieta Parahyba. “Encurtar a jornada desses pacientes é fundamental. Ela ainda é muito longa e difícil”, defendeu.

É preciso também que os gestores tenham uma visão de longo prazo, destacou o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Retina e Vítreo, dr. Arnaldo Bordon. Segundo ele, os gastos com saúde visual ainda são calculados de forma pouco qualificada. “O governo nos diz ‘não temos dinheiro’, mas o custo da cegueira é muito mais alto se pensarmos em uma pessoa de 20 e tantos anos que, por conta de perda de visão, para de produzir. E, quando a gente faz a conta, é muito mais barato prevenir”, completou.

Maria Antonieta, da associação de pacientes Retina Brasil, concordou. “A sociedade precisa fazer o Ministério da Saúde entender que deixar de gastar também gera custo”, avaliou.

Além do peso financeiro, a perda da visão gera um impacto emocional considerável, apontou a coordenadora de Educação Inclusiva da Fundação Dorina Nowill, dra. Eliana Cunha. “O impacto emocional é muito importante. (...) Muitos entram em depressão”, disse. Ela lembrou ainda que, com o atendimento especializado, essas pessoas conseguem se reorganizar e se reinserir na sociedade. “Depois da reabilitação, é comum que essas pessoas digam que ‘renasceram’”, afirmou.

Assista à íntegra do webinar: “Visões raras: podemos mudar o curso dessa história? O impacto da cegueira para o paciente, familiares e sociedade”.


Referências:

1. condicoes_saude_ocular_brasil2019.pdf (cbo.com.br) 2. Causes of blindness and vision impairment in 2020 and trends over 30 years, and prevalence of avoidable blindness in relation to VISION 2020: the Right to Sight: an analysis for the Global Burden of Disease Study - The Lancet Global Health3. WHO. World report on vision. ISBN: 9789241516570. https://www.who.int/publications/i/item/9789241516570

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