Com 129 casos no Japão, gripe suína dominará reunião da OMS

Autoridades japonesas ordenam fechamento de mil escolas e pré-escolas nesta segunda-feira

Efe,

18 Maio 2009 | 00h43

O número de casos da gripe suína no Japão chegou a 129, com mais 33 pacientes confirmados nesta segunda-feira, segundo cálculos da agência de notícias Kyodo. Em meio à rápida disseminação do vírus no país, o primeiro-ministro Taro Aso pediu calma à população. Aso fez o pedido quando o total de casos estava em 92, de acordo com a contagem oficial.

 

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Em uma reunião da força-tarefa do governo criada para cuidar da epidemia, Aso afirmou que as autoridades japonesas não pretendem pedir aos cidadãos para evitarem reuniões ou diminuírem a atividade nas empresas.

 

Com o número de casos no mundo disparando para mais de 8 mil e o Japão fechando centenas de escolas para combater a epidemia, a gripe suína deve dominar as discussões da assembleia anual da Organização Mundial de Saúde (OMS), a ser aberta nesta segunda-feira em Genebra.

 

O vírus A/H1N1 já teve um efeito sobre a reunião dos 193 países-membros: a OMS propôs o encurtamento do encontro, de 10 para cinco dias, a fim de minimizar o tempo em que as principais autoridades de saúde ficam fora de seus países. A agência disse que os ministros precisam voltar para coordenar esforços nacionais contra a gripe, que já atingiu pelo menos 39 países em menos de um mês.

 

Uma comissão foi formada para levar a proposta de encurtamento da reunião à assembleia da OMS. Se a ideia for aprovada, podem ser canceladas as discussões sobre tuberculose, hepatite viral e transplantes de órgãos humanos.

 

Desde que chamou a atenção do mundo no México e nos EUA, o novo vírus já infectou quase 8.500 pessoas, segundo a OMS, e se espalhou para além da América do Norte, levado por viajantes. Em 29 de abril, a OMS elevou o nível de alerta sobre a gripe para o nível 5, um abaixo do de uma pandemia, ou disseminação sustentada da doença em mais de um continente.

 

No Japão, a maioria dos pacientes infectados foi registrada entre os estudantes do ensino básico e das escolas secundárias, e em torno das cidades de Kobe e Osaka, no oeste do país, onde as autoridades ordenaram que mais de mil escolas e pré-escolas ficassem fechadas nesta segunda-feira.

 

Mais de 70 pessoas morreram em decorrência do vírus - todas elas nas Américas e quase todas no México, onde foi detectada pela primeira vez a variante nova do vírus da gripe suína. No domingo, as autoridades de saúde do Chile registraram o primeiro caso do país, que se tornou o 40º afetado.

 

A assembleia da OMS deve concentrar ao longo do dia discussões de alto nível sobre o vírus, antes de uma aparição oficial da diretora-geral da agência, Margaret Chan. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, deve comparecer na terça-feira.

 

Horas de debate deverão ser dedicadas aos preparativos para pandemias e para a influenza, um assunto habitual nos últimos anos, desde que o vírus H5N1, da gripe aviária, passou a infectar seres humanos.

 

Em uma reunião em Genebra antes da assembleia, os governos não chegaram a um acordo sobre o compartilhamento de vacinas e de material de pesquisa de vírus no caso de uma pandemia global de gripe.

 

A OMS também discute com cientistas e fabricantes de vacinas sobre o início da produção em larga escala de uma vacina contra a pandemia e sobre a necessidade de suspender a fabricação da vacina contra a gripe sazonal para liberar capacidade de produção.

 

Os especialistas se mostraram preocupados com a possível mutação do A/H1N1, que poderia torná-lo mais resistente a antivirais como Tamiflu e Relenza, que têm sido estocados para o tratamento da gripe forte.

 

A assembleia da OMS também deve examinar a implementação do Regulamento Sanitário Internacional, que desde 2005 obriga países como o México a alertar imediatamente sobre possíveis ameaças à saúde mundial.

 

Texto atualizado às 4h30

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