Com 443 casos, México reduz suspeitas de morte por gripe

Segundo ministério da Saúde, doença pode ter matado 101 pessoas, e não 176; procura por hospitais diminui

Reuters e BBC Brasil

02 Maio 2009 | 10h40

OMS confirma 615 casos e 17 mortes por gripe suína no mundo

CIDADE DO MÉXICO - Novos dados laboratoriais mostraram que menos pessoas morreram no México do que se pensava inicialmente em decorrência do novo tipo de gripe. O país reduziu sua contagem de mortes suspeitas de terem sido causadas pela gripe provocada pelo vírus H1N1 de 176 para até 101, uma vez que dezenas de testes deram negativo. 

 

O total de casos confirmados da doença no México subiu de 397 para 443, informou neste sábado, 2, o ministro da Saúde, José Angel Córdova. Destes, 427 pacientes sobreviveram. O número de mortes continua em 16. De 1.105 testes feitos em pessoas suspeitas de terem a doença, 662 foram descartados.

 

 

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Além disso, menos pacientes com fortes sintomas de gripe deram entrada em hospitais, sugerindo que a taxa de infecção de uma gripe que se espalhou para Ásia e Europa está diminuindo. A notícia é animadora para os mexicanos, que estão em sua segunda semana de isolamento com o comércio paralisado pelo país e com sua capital, a Cidade do México, privada de seus alegres restaurantes, bares, cinemas e museus.

A Organização Mundial de Saúde afirmou neste sábado que 15 países reportaram 615 infecções com o novo vírus A-H1N1, mais conhecido como gripe suína. O número praticamente dobrou em relação ao balanço de ontem, mas ele não representa novas infecções, e sim casos já reportados que só agora foram confirmados em laboratório.

Quase todas as infecções fora do México têm sido brandas. A única morte em outro país foi a de uma criança mexicana que foi levada aos Estados Unidos antes de manifestar a doença.

O ministro da Saúde do México, José Ángel Córdova, disse à BBC que, com base nas amostras testadas, a taxa de mortalidade provocada pela gripe suína poderia ser comparada com a das gripes sazonais comuns. O ministro também reconheceu que os números são encorajadores, mas alertou que é muito cedo para afirmar que o país controlou a doença.

 

"Seria precipitado dizer que o pior já passou, mas creio que temos elementos que apontam para uma etapa de estabilização", disse o ministro.  "Precisamos de mais dias para ver como ela se comporta e se de fato há uma queda sustentável". O novo vírus é somente a terceira doença infecciosa nos últimos dez anos que os especialistas consideram ter potencial pandêmico.

Os especialistas em saúde correm para desenvolver uma vacina para a gripe que está destruindo a indústria que transporta centenas de milhares de pessoas para dentro e fora do México toda semana. O turismo é a terceira fonte de renda do país.

 

Novos casos

 

Neste sábado a Coreia do Sul e a Itália confirmaram seus primeiros casos de gripe suína, elevando para 17 o número de países com registros da doença.

 

Além do México, onde o surto teria começado, os demais países com casos confirmados são Estados Unidos, Canadá, Nova Zelândia, Grã-Bretanha, Espanha, Alemanha, França, Israel, Costa Rica, Holanda, Suíça, Áustria, Dinamarca e China (Hong Kong). Cinco desses países também confirmaram casos de transmissão da doença para pessoas que não haviam estado no México.

 

Vários países estão adotando medidas para tentar conter a propagação do vírus. A União Europeia pediu aos seus cidadãos que evitem viajar para México, Estados Unidos e Canadá. Argentina e Cuba foram além e suspenderam todos os voos vindos do México.

Quarentena em Hong Kong

Policiais com máscaras cirúrgicas colocaram em quarentena 200 hóspedes e 100 funcionários dentro de um hotel em Hong Kong onde o mexicano, de 25 anos, ficou hospedado, afirmando que eles ficarão confinados por uma semana.

"Eles disseram que todo mundo deveria voltar aos seus quartos. Eu não quero ir ao meu quarto porque quero sair", afirmou um australiano no hotel a um repórter de TV por telefone.

Hong Kong foi fortemente atingida pelo vírus da SARS em 2003 e teve muitos episódios da gripe aviária, causada pelo H5N1, por mais de uma década.

O Banco de Desenvolvimento Asiático afirmou que está preparado para oferecer ajuda aos países na região para lidar com uma possível disseminação da gripe, assim como fez durante o surto de SARS.

Diversos países europeus confirmaram casos do vírus. Os Estados Unidos registraram 145 casos em 22 Estados.

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