Governo do MS/divulgação.
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Com 613 casos e baixo isolamento, governo teme aceleração da pandemia no MS

O secretário lembrou que ao menos dois óbitos e parte dos casos têm ligação com uma festa promovida por uma família de Brasilândia, no interior do Estado, em plena quarentena

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

18 de maio de 2020 | 18h17

SOROCABA – O governo de Mato Grosso do Sul, estado com o menor número de casos de coronavírus no Brasil, vê risco de aceleração da pandemia da covid-19 devido ao baixo isolamento social. Nas últimas 24 horas, foram registrados 43 novos doentes, chegando a 613 casos positivos em todo o Estado. Como o registro de um novo óbito neste domingo, 17, o número de mortes chegou a 16 – também o menor do País. A taxa de isolamento social, no entanto, está abaixo de 48%.

De acordo com o secretário estadual de saúde, Geraldo Resende, a taxa de distanciamento vem caindo desde março e está próxima do período anterior à pandemia. “Antes, o isolamento chegava a 35% nos dias úteis e 43% aos fins de semana e feriados. Em abril, ficamos de 46% até 55%. Atualmente, estamos com até 43% em dias normais e 43% nos fins de semana, ou seja, estamos com falta de isolamento. A conta é simples: quando menos contato social e físico, menores as chances de contrair o vírus e de contaminar outras pessoas”, disse.

O secretário lembrou que ao menos dois óbitos e parte dos casos têm ligação com uma festa promovida por uma família de Brasilândia, no interior do Estado, em plena quarentena. Uma idosa de 70 anos recebeu familiares no dia 1º de maio para uma confraternização e apresentou sintomas no dia seguinte. Ela estava internada em um hospital de Três Lagoas e morreu neste domingo, 17. Ao todo, 11 pessoas da família se infectaram. Um familiar da idosa, de 57 anos, morreu com a covid-19 no último dia 13.

O governo estadual reforçou as 17 barreiras sanitárias que abordam viajantes em acessos viários estratégicos. Em 50 dias de operação, as barreiras abordaram 324 mil veículos e 650 mil pessoas. Uma delas funciona na entrada de Guia Lopes da Laguna, a cidade com maior índice de casos no Estado e sexta no país. Com 10.309 habitantes, Guia Lopes registrou 105 casos da doença, atrás apenas da capital, Campo Grande (774.202 habitantes), que teve 181 casos positivos.

 Na manhã desta segunda, 18, o prefeito de Campo Grande, Nelsinho Trad (PSD), usou uma rede social para fazer um desabafo sobre a baixa adesão ao isolamento social na capital. Ele disse que a prefeitura recebeu mais de 600 denúncias de aglomerações no fim de semana, mesmo com o toque de recolher em vigor a partir da meia-noite. “Baile funk, festa de aniversário em época de pandemia. Você pode até dizer que essas mortes já existiam, mas você sabe que isso você insiste em negar não é verdade. São mortes a mais e nós precisamos ser responsáveis com a nossa família, com todos ao nosso redor”, afirmou.

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