Fátima Holanda/Ascom Sesa
Fátima Holanda/Ascom Sesa

Com 86% de ocupação nas UTIs, Ceará implanta mais 200 leitos

Os equipamentos vão ser instalados nesta terça-feira, 19, em hospitais monitorados pelo Estado na capital e no interior

Lôrrane Mendonça, especial para O Estado

18 de maio de 2020 | 21h18

FORTALEZA - Um avião com 103 toneladas de insumos, incluindo 200 respiradores, pousou no Aeroporto Internacional de Fortaleza na tarde desta segunda-feira, 18. De acordo com o governador Camilo Santana (PT), os materiais já estão na central de distribuição da Secretaria Estadual de Saúde (Sesa) para que sejam direcionados às unidades hospitalares. “Com essa ampliação de leitos, vamos atender melhor a população tanto da Capital quanto do Interior. Espero que a cada dia possamos minimizar os impactos da pandemia aqui no Estado”, disse Santana durante transmissão ao vivo em suas redes sociais. 

O Estado já implantou 570 unidades de terapia intensiva para tratamento da covid-19, 400 só na capital cearense. “A gente tem ampliado e, mesmo assim, a demanda sobe junto", afirmou o secretário de Saúde, Dr. Cabeto. "Esses 200 novos equipamentos serão checados por alguns especialistas em ventilação para, a partir desta terça-feira, já começar a distribuição. Parte deles vai ficar em Fortaleza, nas unidades do Estado e para algumas Unidades de Pronto Atendimento que estão sendo inauguradas”, continuou. 

O titular da pasta também destacou que os principais municípios que devem ser assistidos imediatamente são Icó, Limoeiro do Norte, Iguatu, Tianguá, Caucaia e Maracanaú. Estes dois últimos concentram as maiores taxas de contaminados pelo novo coronavírus, atrás somente de Fortaleza, epicentro da doença no Ceará.  

Leitos

O Sistema de Saúde do Ceará, incluindo as redes pública e privada, está com média de 86,22% de ocupação nas unidades de terapia intensiva e de 71,25% nas enfermarias. Segundo o IntegraSus, seis hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS) estão sem vagas de internação e dois estão acima da capacidade.

A Casa de Saúde e Maternidade São Raimundo, o Hospital Central de Fortaleza, o Hospital de Messejana Dr. Carlos Alberto Studart Gomes, o Hospital Distrital Evandro ayres de Moura Antonio Bezerra, o Hospital Geral Dr. Waldemar de Alcântara e a Santa Casa de Paracuru têm 100% das UTIs e das enfermarias ocupados. O Leonardo da Vinci, primeiro hospital de campanha reativado para atender exclusivamente pacientes com covid-19, tem 92,19% de ocupação.

O Hospital Cura Dars está com 109% dos leitos ocupados e o Hospital Regional Norte, no interior do Estado, também está superlotado, com 102,08% de ocupação.

Na rede particular, o Hospital Ana Lima, Hospital Antonio Prudente (Hapvida) e a Otoclínica também estão lotados. A Unimed e o Monte Klinikum estão com 98% de ocupação.

Do total, as maiores taxas de internação são entre adultos e recém nascidos. Nas UTIs, 90,28% são ocupadas por pessoas acima de 18 anos e 59,38% por recém nascidos. Nas enfermarias, há ocupação de 80,69% de leitos para adultos e 53,85% são neonatais.

Bloqueio total

O Ceará é o terceiro estado do País em casos confirmados, atrás de São Paulo e Rio de Janiero, de acordo o Ministério da Saúde. Segundo dados da plataforma IntegraSus, do Governo do Ceará, há 26.363 casos confirmados da covid-19 e 1.748 mortes. Em Fortaleza, onde foi adotado o bloqueio total (lockdown), são 16.169 pessoas contaminadas e 1.253 óbitos até esta segunda-feira, 18.

Desde o dia 8 de maio, a capital vive o bloqueio total. O decretado vai até a próxima quarta-feira, 20. Sobre prorrogar a decisão, o governador Camilo Santana disse que ainda será feita uma avaliação técnica para definir novas estratégias a respeito da pandemia. “Vou me reunir com o prefeito Roberto Cláudio (PDT), também [vou me reunir] com equipe da prefeitura para que a gente possa avaliar o cenário da Capital, e podermos tomar decisões futuras [...] Vamos fazer uma avaliação técnica para definir os novos passos". 

Santana disse também que está elaborando um projeto para permitir a volta das atividades comerciais. “Nesta semana, estaremos finalizando um plano de retomada da economia no Estado, claro, de forma gradativa e sempre atendendo às recomendações das autoridades da saúde”, disse.

Uso de cloroquina

O governo do Ceará está cauteloso quanto aos protocolos de tratamento da covid-19 com medicamentos eficazes para a cura de infectados. O secretário da Saúde, Dr. Cabeto, disse que os protocolos estão dentro do que estabelece as normas internacionais. “Não existe uma droga, uma vacina liberada. Atender o paciente precocemente e reconhecer os grupos de risco é o que tem reduzido as taxas de mortalidade aqui no Estado”, ponderou.

Quanto ao uso da cloroquina, o chefe do Executivo esclarece que é preciso ter um diálogo mais aberto sobre o uso da medicação. “Ainda não tem comprovação científica. O Estado não utiliza cloroquina, ela está no protocolo, mas só é utilizada com recomendação do médico, que é quem decide se o paciente fará uso deste medicamento. Quero deixar muito claro que todas as decisões que o Estado tem tomado são pautadas nas questões técnicas e científicas, acho que a política deve estar fora de qualquer contexto neste momento de enfrentamento à pandemia”, afirmou Santana.

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