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Com a pandemia do coronavírus, papel do SUS ganha força entre paulistanos

Pesquisa do Ibope Inteligência em parceria com a Rede Nossa São Paulo aponta que 40% dos entrevistados defendem maior investimento no Sistema Único de Saúde

Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo

05 de maio de 2020 | 10h00

A pandemia do novo coronavírus derrubou a renda, reduziu a jornada de trabalho e deixou claro para os paulistanos a necessidade da ampliação de investimentos no Sistema Único de Saúde (SUS) e do pagamento de uma renda mínima emergencial para todas as pessoas. Essas são as principais revelações de uma pesquisa realizada pelo Ibope Inteligência em parceria com a Rede Nossa São Paulo.

"Os resultados mostram a preocupação com questões coletivas", afirma o coordenador geral da Rede Nossa São Paulo, Jorge Abrahão. Ele lembra que a discussão que predominava antes da pandemia era em outra direção. Meses atrás o foco estava na política de austeridade muito forte nos gastos públicos. O desafio a partir de agora, observa, é recalibrar esses investimentos, diante da importância que o SUS ganhou junto à população.

Na enquete online feita na segunda quinzena de abril com 800 paulistanos dos quatro cantos da cidade, de todas as classes sociais e mais da metade (62%) sem plano de saúde privado, 40% dos entrevistados apontaram um volume maior de investimentos no SUS como o principal fator para diminuir os impactos da pandemia. Na sequência estão o isolamento total da população (37%), renda básica emergencial para todos (32%) e aumento da testes para identificar o contágio da covid-19 (30%).

De acordo com a pesquisa, 69% concordam que, sem o SUS, as consequências da pandemia seriam muito piores e também 62% relatam que passaram a valorizar mais o SUS depois da disseminação da doença.

A atriz Simone Guerra, de 53 anos, já valorizava o SUS antes da pandemia. Ela lembra que o sistema vinha sendo sucateado no último ano pelo governo atual, assim como a ciência. "Houve campanhas para acabar com o SUS e estamos vendo que ele não pode acabar", diz a atriz. Ela ressalta que a saúde pública é um direito do cidadão e que dinheiro precisa chegar numa velocidade mais rápida ao SUS. "O SUS está salvando muita gente."

Assim como tantos outros paulistanos, Simone viu sua renda despencar do dia para noite com espetáculos cancelados. Neste momento, ela está vivendo com recursos que poupou, mas a perspectiva é que esse dinheiro logo acabe.

O aperto financeiro também atingiu a podóloga Maria Conceição Beatriz, de 71 anos. Há um mês em meio sem atender aos clientes, ela vive apoiada pela ajuda dos filhos. "Eu não tenho tantas contas para pagar, vejo pessoas com muita necessidade", diz.

Apesar das dificuldades enfrentadas pela queda abrupta na renda, tanto Simone como Maria dão prioridade à saúde. A pesquisa mostra que, neste momento, metade dos paulistanos está preocupada com a saúde da família e 17% com a própria saúde. Questões econômicas, como estar desempregado ou ter a renda reduzida, estão em segundo plano, com 11% e 10%, respectivamente, das respostas.

A enquete revela que 64% dos entrevistados perderam renda total ou parcialmente e 61% tiveram redução na jornada. Entre ações para atenuar os impactos da pandemia, a grande maioria ( 77%) está evitando sair de casa e só 5% dos entrevistados dispensaram os empregados domésticos da jornada diária e continuaram pagando o salário. O coordenador da Rede Nossa São Paulo observa que neste ponto há incongruências. Isso porque na mesma pesquisa constatou-se  que 42% das pessoas observaram maior solidariedade em tempos de pandemia. "Uma coisa é ser solidário e assinar um documento ou fazer uma ajuda filantrópica, ações que são importantes. Mas o que pesa mesmo é quando os compromissos são mantidos, apesar da nova situação."

Governo

Um dado já esperado e confirmado pela pesquisa foi a avaliação considerada como não adequada por 54% dos entrevistados sobre as atitudes do presidente da República, Jair Bolsonaro, no trato com a pandemia. Já o governador do Estado de São Paulo, João Doria, e o prefeito, Bruno Covas, têm 68% de aprovação nesse quesito.

Além da responsabilidade do poder público em relação a direitos básicos como a saúde, a pesquisa mostra também a cobrança da população quanto à responsabilidade social das empresas, destaca Abrahão. Nesse sentido, a enquete revela, por exemplo, que 63% dos entrevistados disseram que o governo deveria punir empresas que demitem durante a pandemia. 

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