Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Com a pandemia, leitos de UTI aumentam 45% no País

Foram criados 19,8 mil novos lugares, além dos 45,4 mil já existentes, dos quais 52% estavam no Sudeste

Mateus Vargas, O Estado de S.Paulo

04 de agosto de 2020 | 05h00


O País criou 19,8 mil leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) exclusivos para tratamento da covid-19 durante a pandemia, um salto de cerca de 45% em relação às 45,4 mil unidades que funcionavam antes da doença. Segundo levantamento do Conselho Federal de Medicina, no entanto, o aumento se deu de forma desigual na rede privada e no Sistema Único de Saúde (SUS).

Até fevereiro as unidades eram divididas praticamente da mesma forma entre a rede do SUS e a estrutura privada e suplementar, que atende 22% da população. Cerca de 44% dessas UTIs exclusivas para covid-19 foram criadas na rede pública (8.764) e as demais estão vinculadas ao setor privado e suplementar (11.061).

Para o levantamento, o CFM utilizou dados do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), do Ministério da Saúde. A oferta nessa área já vinha crescendo desde 2011.

O conselho aponta que, antes da pandemia, 14 Estados ofertavam menos leitos de UTI do que o recomendado por especialistas, ou seja, de 1 a 3 unidades a cada 10 mil habitantes. Só o Sudeste concentrava 52% das unidades da rede pública até o começo do ano. "Já tínhamos o sistema à beira do caos em muitos lugares. Com a pandemia, aconteceu uma catástrofe", afirma Donizetti Giamberardino, primeiro vice-presidente do CFM. "Em Estados onde a rede era insuficiente, esperamos que sejam mantidos os leitos." 

O conselho estima, no entanto, que cerca de 20% dos leitos criados no SUS operam em hospitais de campanha - cujas estruturas já começam a ser desmontadas em lugares como Manaus e São Paulo. Hoje, no País, 30% dos leitos de UTI são exclusivos para tratamento da covid-19. Em seis Estados esses espaços representam mais de 40% da oferta total de unidades para tratamento de pacientes graves, independentemente da doença. O maior porcentual , de 46%, está no Piauí. Em São Paulo, são 29% dos leitos.

 

O CFM aponta ainda que 96% dos espaços criados para pacientes graves da pandemia são de atendimento adulto e sete Estados sequer têm leitos pediátricos desse tipo no SUS: Acre, Amapá, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Minas e Sergipe.

Procurado para comentar o levantamento, o Ministério da Saúde não se manifestou - mas informou ontem, em entrevista, que financia 11.353 leitos exclusivos da covid-19 no Brasil. Cada um recebe uma diária no valor de R$ 1.600. 

Para o CFM, a diferença de número de leitos financiados pelo governo federal daqueles apresentados no levantamento se explica porque os dados do cadastro nacional estarem disponíveis apenas até junho.

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