Seade/Reprodução
Seade/Reprodução

Doria recua em flexibilização e anuncia vacinação da covid-19 para pessoas de 45 a 54 anos em agosto

Ampliação do horário de funcionamento de comércio e serviços foi adiada para 14 de junho; São Paulo terá eventos-teste com ambiente controlado para avaliar transmissão do novo coronavírus

Renata Cafardo e Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo

26 de maio de 2021 | 11h47
Atualizado 27 de maio de 2021 | 14h44

Como adiantou o Estadão, o governador João Doria (PSDB) anunciou nesta quarta-feira, 26, um recuo na flexibilização do horário de funcionamento e da ocupação máxima de igrejas, restaurantes, salões de beleza, academias de ginástica, shoppings, espaços culturais e outros estabelecimentos comerciais e de serviços prevista inicialmente para começar na terça-feira, 1º de junho, em São Paulo. Com a  decisão, a atual fase emergencial foi prorrogada até 14 de junho, com a permissão de atendimento ao público em comércios e serviços entre as 6 e as 21 horas e com a ocupação limite de 40%, "exatamente nos moldes que vem operando atualmente", destacou o governador. O motivo atribuído à decisão é o aumento de casos e internações por covid-19 no Estado.

"Indicadores pandemia recomendam cautela neste momento", declarou Doria. A flexibilização foi adiada para 15 de junho, quando permitirá o funcionamento máximo do comérico e dos serviço até as 22 horas e com ocupação de até 60%. 

Além disso, o governador anunciou datas para o início da vacinação contra a covid-19 para novos grupos. A população em geral de 50 a 54 anos poderá ser imunizada a partir de 2 de agosto, enquanto a de 45 a 49 anos terá a vez depois de 17 de agosto.

Ainda nesta semana, terá início a imunização de trabalhadores de transporte aéreo dos aeroportos de Guarulhos, Congonhas e Viracopos na sexta-feira, 28, data na qual também começará a ser vacinado o grupo de pessoas de 40 a 44 anos com deficiência permanente e/ou com comorbidades. Na terça-feira, 1º, será a vez dos portuários.

A coordenadora geral do Programa Estadual de Imunização, Regiane de Paula, destacou que o quantitativo atual de vacinas não é suficiente para todo o grupo de portuários e trabalhadores do setor aéreo de todo o Estado, grupo prioritário estabelecido pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI). “Precisamos de mais doses de vacinas para completar", explicou. Para julho, a previsão é vacinar a população de 55 a 59 anos, a partir do dia 1º, e profissionais da educação a partir dos 18 anos, depois de 21 de julho.

São Paulo terá eventos-teste em feiras de negócios, festas e eventos sociais

Doria anunciou alguns detalhes sobre a realização de 10 eventos-teste em ambientes controlados previstos para junho e julho, com testagem na entrada e monitoramento posterior por duas semanas de participantes. A iniciativa é inspirada em exemplos internacionais com propostas variadas para analisar as chances de transmissão do vírus da covid-19 em aglomerações controladas.

Os eventos terão "diversos tamanhos", com acompanhamento de epidemiologistas e ocorrerão na Baixada Santista, no interior, na capital e em outras cidades da região metropolitana, em parceria com a iniciativa privada. Serão eventos sociais, feiras de negócios, feiras criativas e festas. "Não é uma retomada, não é uma abertura, é um monitoramento científico", afirmou a secretária estadual de Desenvolvimento Econômico, Patricia Ellen. "(É) Para termos um planejamento para o segundo semestre seguro."

Paulo Menezes, coordenador do Centro de Contingência do Covid-19, disse que esse tipo de iniciativa é uma experiência para identificar “caminhos para uma vida mais próxima daquilo que a gente gostaria”. “Ainda precisamos aprender muita coisa sobre como conviver com esse vírus.”

Estado de SP está em curva ascendente de casos de covid-19 e internações

Na coletiva de imprensa, o secretário da Saúde, Jean Gorinchteyn, destacou que o Estado teve um incremento de 8,3% em casos e de 7,8% em internações em uma semana. 

João Gabbardo, coordenador executivo do Centro de Contingência, afirmou que o recuo na flexibilização é uma “medida de segurança”. “Não seria conveniente neste momento esta flexibilização, que seria iniciada no dia 1º (de junho).”

Já Paulo Menezes, coordenador do Centro de Contingência, ressaltou que a necessidade de intensificação de cuidados para evitar um aumento na transmissão. “Temos que trabalhar com cautela, segurança, mas sem pânico", afirmou. “Nós já sabíamos e temos reiterado aqui que há uma circulação importante do vírus, que se intensificou mais nas últimas duas semanas, de forma que vimos o reflexo disso no aumento de casos."

O Estado está em curva ascendente na média móvel (calculada com base nos últimos sete dias) de novas internações desde 6 de maio, quando registrava 2.195. Na terça-feira, 25, a taxa foi de 2.595 novas hospitalizações ligadas à covid-19 por dia, semelhante à registrada em meados de março e superior ao recorde de 2020, que foi de 1.972 em 16 de julho.

Situação semelhante é identificada em casos da doença. A média móvel de casos também está em curva ascendente, desde 8 de maio, quando era de 11.320 novos registros por dia. Na terça-feira, 25, ela chegou à taxa de 13.940 novos casos diários, semelhante à registrada em meados de março e superior ao recorde de 2020, que foi de 11.298 em 31 de julho. O pico deste ano foi em 1º de abril, com 17.933.

A ocupação média de UTI é de 80,5% (redes pública, privada e filantrópica), enquanto é de 63% em enfermaria. Ao todo, o Estado tem 109.241 óbitos e 3.226.875 casos confirmados do novo coronavírus.

Nas últimas semanas, o País têm registrado aumento no número de casos e internações. Um dos principais dados é a média de diagnósticos por dia, que está acima dos 65 mil positivos, acréscimo de 8% em 14 dias. O avanço em registros leva a risco maior de contaminação e de internação, ampliando a pressão sobre o sistema e a possibilidade de óbitos.

Na capital paulista, segundo a Secretaria Municipal de Saúde, seis hospitais da administração pública ou com leitos contratados estão com 100% de seus leitos ocupados. E a rede particular também já se preocupa. O Hospital Israelita Albert Einstein se prepara para a abertura de 60 novos leitos na primeira quinzena do próximo mês como medida preventiva. No Sírio Libanês, o aumento na segunda-feira, 24, na comparação com o dia 17, foi de 23%, saltando de 141 casos para 174 em uma semana.

Dados pendentes da Butanvac serão enviados até fim da semana, diz diretor da Fundação Butantan

O governador Doria fez um apelo na coletiva que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)  libere o início dos testes em humanos da vacina Butanvac, desenvolvida por pesquisadores do Instituto Mount Sinai, de Nova York, que será fabricada no Instituto Butantan com insumos nacionais. "Apelo para que a Anvisa libere já, na primeira semana de junho, a testagem da Butanvac”, afirmou.

Diretor executivo da Fundação Butantan, Rui Curi esclareceu que dados exigidos pela agência serão remetidos até o fim desta semana. Por isso, a expectativa é que a autorização ocorra no começo de junho.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.