Com aval do MP, Aedes transgênico vai para centro de Piracicaba

Cidade é a primeira no Estado a adotar mosquito geneticamente modificado para reduzir a população do inseto com potencial para transmitir doenças

José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

20 Março 2016 | 18h15

SOROCABA – O Ministério Público Estadual (MPE) não vai se opor à expansão do projeto do Aedes aegypti geneticamente modificado para a região central de Piracicaba, no interior de São Paulo. A cidade é a primeira no Estado a adotar o mosquito transgênico para reduzir a população do inseto com potencial para transmitir a dengue, febre chicungunya e zika vírus. O projeto piloto está sendo realizado desde abril de 2015 no bairro Cecap/Eldorado e já reduziu em 82% a quantidade de larvas selvagens, em comparação com bairros onde não foi feita a experiência.

Ativistas ambientais entraram com representação no MPE, alegando falta de estudos sobre a transmissão do zika vírus pelo mosquito e, ainda, que a eficácia do Aedes transgênico no bairro não foi demonstrada de forma satisfatória. O projeto é desenvolvido pela prefeitura em parceria com a empresa Oxitec. Empresa e município já prestaram as informações pedida pelo MPE.

A Promotoria do Meio Ambiente de Piracicaba ainda não deu parecer final sobre a representação, mas informou que não vê razões para se opor à continuação do projeto. De acordo com a promotoria, a ameaça do zika vírus sobretudo às mulheres grávidas é uma razão a mais para validar todas as ações que visem à eliminação no mosquito transmissor.

A prefeitura já assinou um protocolo de intenções com a Oxitec para estender a soltura do mosquito à região central. A nova área a ser atendida tem 60 mil moradores e concentra a maior quantidade de focos do mosquito. Ainda não há data para o início da soltura, mas os levantamentos preliminares foram iniciados.

A expansão do uso do chamado “Aedes do Bem” obrigará a empresa a instalar uma biofábrica do mosquito transgênico no município. Atualmente, a única unidade de produção está instalada em Campinas e fornece cerca de 800 mil espécimes por semana para soltura no bairro. A tecnologia desenvolvida pela empresa torna os machos da espécie parcialmente inférteis. Eles copulam com a fêmea selvagem – que se alimenta do sangue humano – e produzem uma prole inviável, pois os filhotes morrem antes de atingir a idade adulta.

No dia 11 deste mês, o Centro de Medicina Veterinária da Agência de Alimentos e Drogas (FDA) dos Estados Unidos, deu parecer preliminar considerando que o uso do mosquito transgênico da Oxitec não traz impacto significativo ao meio ambiente – os mosquitos estão sendo testados no Estado da Flórida. No Brasil, o emprego da tecnologia foi liberado pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CNTBio), mas ainda aguarda parecer da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

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