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Nilton Fukuda/ Estadão
Nilton Fukuda/ Estadão

Com avanço da covid, hospitais privados de elite em SP registram taxa de ocupação superior a 90%

Uso de leitos no Einstein chegou a 99% nesta quinta; unidades médicas têm realocado leitos para atender à demanda crescente, que envolve pacientes do coronavírus e de doenças crônicas

Paula Felix, Fabiana Cambricoli e Erika Motoda, O Estado de S.Paulo

25 de fevereiro de 2021 | 18h07

A escalada de casos de novo coronavírus, somada às internações de pacientes com doenças crônicas, coloca pressão em hospitais particulares de elite de São Paulo, que operam com taxas de ocupação superiores a 90% nos leitos de enfermaria e de UTI, considerando alas covid-19 e as para outras doenças. A alta tem sido associada por médicos e especialistas aos efeitos das aglomerações das festas de fim de ano e há preocupação com as consequências do carnaval. Nesta semana, o Estado registrou recorde de internações em UTIs da pandemia, considerando vagas públicas e privadas. 

No Hospital Israelita Albert Einstein, a taxa total de ocupação é de 99% nesta quinta-feira, 25 e, no Sírio-Libanês, é de 96%. No Hospital Alemão Oswaldo Cruz, a taxa de ocupação de UTI para covid está em 91%. Na Beneficência Portuguesa, a taxa de ocupação dos leitos de internação para infectados pelo vírus está em 94% nesta quinta, e 97,87% nas UTIs. Na quinta, a taxa de ocupação nos leitos de UTI e enfermaria dedicados à doença no HCor é de 85% e a ocupação total, 86%.

Esses índices variam diariamente, seja pelas altas, mortes de pacientes ou por adequação dos leitos, que podem ser transformados em UTI ou enfermaria, conforme a necessidade. Não significa, portanto, que os hospitais vão deixar de receber novos casos em breve. Mas as taxas têm se mantido elevadas nas últimas semanas.  Nesta quinta, havia 123 internados com covid no Einstein, dos quais 65 na UTI. Nesta quarta, 24, eram 127 internações (55 na UTI). Mas o número veio aumentando nos últimos dias. O balanço do último dia 17 apontava 120 internações, das quais 47 eram em UTI. 

No Einstein, embora o número de internações pea covid esteja elevado, não houve aumento significativo do volume de internações pela doença nas últimas semanas e a principal causa da lotação atual são cirurgias eletivas que ficaram represadas nos primeiros meses da pandemia e estão sendo retomadas agora.  “A demanda de covid tem se mantido estável nos últimos dez dias, mas a demanda por outros tratamentos tem sido altíssima desde novembro. Eu, por exemplo, costumo fazer uma ou duas cirurgias por dia e, hoje, fiz quatro”, conta Sidney Klajner, presidente do Einstein e cirurgião do aparelho digestivo.

Os 123 pacientes internados com covid representam cerca de 20% dos 610 leitos do hospital. Ele esclarece, portanto, que, como a maioria das vagas ocupadas não são por quadros de urgência, a situação está sob controle e o hospital tem estratégias para abrir leitos rapidamente, se preciso. Por enquanto, a unidade não prevê cancelar procedimentos eletivos. “Estamos remanejando procedimentos de menor complexidade para a unidade de Perdizes (zona oeste), temos médicos contratados que passam visita logo cedo para acelerar altas e podemos abrir novos leitos em alas que eram usadas para a realização de exames ou para recuperação pós-cirúrgica”, comenta.

O Einstein, diz ele, já chegou a ter 106% de ocupação em janeiro. Isso acontece quando leitos extras são abertos temporariamente em alas como pronto-atendimento até um leito regular ser colocado à disposição. Foi também no mês passado que o hospital chegou ao recorde de internados por covid desde o início da pandemia: 155. Klajner diz que o que preocupa agora é uma eventual demanda crescente por leitos covid nas próximas semanas, como reflexo das aglomerações no Carnaval. O hospital já prepara uma sala de recuperação pós-anestésica para abrigar de 5 a 8 leitos de UTI.

"Quando enfrentamos a pandemia na primeira onda, suspendeu o atendimento das outras especialidades. As pessoas ficaram quase um ano sem se tratar, mas nosso ambulatório de consultórios voltou à atividade plena, retomou-se o agendamento de cirurgias importantes", diz Fernando Torelly, superintendente corporativo e CEO do HCor. A volta de pacientes cardíacos e oncológicos, por exemplo, aumenta a demanda nas unidades de saúde. 

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A grande discussão é como vamos ter de atuar se continuar nesse padrão de ocupação do hospital. Agora, a situação é complexa e administrável, mas não sabemos o crescimento que vamos observar nas próximas semanas
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Fernando Torelly

Levantamento preliminar do Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo com amostra de 60 hospitais privados (16% das unidades da rede particular que atendem covid), apurou que 72% dos hospitais paulistas têm ocupação que varia de 80% a 100% dos leitos de UTI. A pesquisa completa termina no fim da semana. Por outro lado, o estudo destaca que dois terços dos hospitais declaram ter capacidade de aumentar o número de leitos disponíveis, se preciso. 

Torelly, do HCor, diz que o hospital trabalha atento ao avanço da doença, a situação em outros Estados e os cenários previstos para os próximos dias. "O ponto de maior preocupação para todos é como será a capacidade de crescimento (dos casos). As variáveis que levamos em consideração são: vacina, as novas variantes, o comportamento da população e a capacidade de leitos. Se tiver mais casos, vamos tentar adequar. Estamos vendo o impacto de atividades sociais do Natal e ano novo, bares e festas. Estamos analisando tudo que está acontecendo no Brasil, em outros Estados, e torcendo para que não aconteça em São Paulo", afirma. 

Para Francisco Ballestrin, presidente do SindHosp, a manutenção de cirurgias e atendimentos eletivos (não urgentes) indica que, por ora, existe a possibilidade de manter essa assistência, com cautela. "Agora temos o pior dos cenários: o pico está maior e muitos dos leitos estão ocupados por pacientes eletivos. Mas ainda existem leitos em hospitais privados que podem ser transformados para covid. Nesse instante, vai ser o critério por demanda. Estamos (hospitais privados) conseguindo atender as duas. Se houver demanda de covid que faça uma pressão enorme, vamos diminuir as outras e colocar pacientes de covid lá", aponta.

Torelly diz ainda que a população precisa colaborar para evitar que a situação se agrave mais ainda. "Temos estrutura hospitalar ativa e dando conta, mas não pode acontecer de ter convívio social mais liberado. Não podemos perder o medo e o respeito pelo vírus. Tem de manter as medidas de proteção para efetivamente ganhar mais tempo com a vacinação", alerta Torelly. 

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São 250 mil mortos. Não dá para aglomerar, não usar máscara. Ainda é uma realidade de enfrentamento da maior pandemia da nossa geração
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Fernando Torelly

Na quarta-feira, 24, a gestão João Doria (PSDB) anunciou uma restrição de circulação em todo o Estado, das 23 horas às 5 horas, para conter o avanço do coronavírus em São Paulo. Especialistas ouvidos pelo Estadão, porém, consideraram que as medidas apresentadas pelo governo são brandas e confusas. Nesta quarta, a taxa de ocupação de leitos de UTI era de 69% no Estado, com média de 69,3% na Grande São Paulo. No último dia 13, o Estado reabriu o Hospital de Campanha de Heliópolis, na zona sul, que já está com 85% de ocupação. 

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