PM São Sebastião/divulgação
PM São Sebastião/divulgação

Com baixa incidência do vírus, São Sebastião usa drone para detectar pessoas com sintomas

O equipamento é utilizado para medir a temperatura corporal de pessoas com possíveis sintomas do coronavírus e dispõe também de alto-falante

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

08 de maio de 2020 | 16h02

SOROCABA – Um drone equipado com sensor térmico está sendo usado para medir à distância e do alto a temperatura corporal de pessoas com possíveis sintomas do coronavírus, em São Sebastião, no litoral norte de São Paulo. O equipamento dispõe também de alto-falante, utilizado para dar orientação e alertar as pessoas em caso de aglomeração. A tecnologia é mais um reforço nas medidas de isolamento social que têm garantido à região os menores índices de incidência do vírus no Estado.  

O litoral norte foi a primeira região de São Paulo a adotar medidas de isolamento, depois que o vírus surgiu na capital. As cinco cidades somavam, nesta sexta-feira (8), 165 casos e 8 mortes pela covid-19. Os óbitos foram registrados em Caraguatatuba (49 casos e 4 mortes), São Sebastião (83 casos e 2 mortes) e Bertioga (3 casos e 2 mortes). Ubatuba (22 casos) e Ilhabela (8) não tiveram óbitos. Desde meados de março, as cidades restringem com rigor a entrada de turistas e controlam o isolamento social de seus moradores. 

No litoral sul, onde o isolamento chegou uma semana depois, ao menos cinco cidades enfrentam uma explosão de casos. Santos tem população um pouco maior que todo litoral norte junto, mas registra 5,3 vezes mais casos e 7 vezes mais óbitos. São 876 casos e 57 mortes. Guarujá também tem mais coronavírus que todo o litoral norte. São 234 casos e 13 mortes, segundo dados da Secretaria da Saúde do Estado. Incluindo Cubatão, São Vicente e Praia Grande, essas cinco cidades da Baixada Santista somavam, nesta sexta, 1.163 casos e 120 mortes.

Santos e Guarujá passaram a controlar e entrada de turistas a partir do dia 22 de março, mas outras cidades da região não adotaram o mesmo controle. Além disso, a Baixada está próxima da região metropolitana de São Paulo, o epicentro da doença no Estado. No litoral norte, os hotéis começaram a ser fechados no dia 17 de março. Dois dias depois, a justiça autorizou bloqueios nas principais rodovias de acesso – Tamoios, Osvaldo Cruz e Rio-Santos – para barrar a chegada de turistas. Uma ordem judicial, no dia 21, suspendeu a medida, mas os bloqueios continuaram nos limites urbanos.

Em Ilhabela, a prefeitura barrou a entrada de forasteiros pelo sistema de balsas. Até moradores locais ainda precisam justificar o deslocamento. “Com a restrição, conseguimos interferir na propagação do vírus. Sair e entrar à vontade é um risco muito grande e essa restrição tem sido de extrema importância para nós”, disse o secretário de Saúde, Gustavo Barboni. As medidas enfrentam resistência. Na manhã desta sexta (8), um grupo de empresários e comerciantes se aglomerou em frente à prefeitura, cobrando medidas de apoio para suportar a quarentena. A Polícia Militar interveio, após tentativa de invasão do prédio.

Alertas

O drone de São Sebastião foi contratado pela prefeitura pelo prazo de um mês, sujeito a prorrogação. De acordo com a diretora da Vigilância em Saúde, Fernanda Paluri, o equipamento está se mostrando muito útil. “Quando ele está sobrevoando e a câmera térmica detecta uma pessoa com temperatura corporal alta, acionamos uma equipe de saúde que vai até a pessoa e faz a abordagem, encaminhado para uma unidade de atendimento, se for o caso.” Até a quinta-feira (7), tinham sido abordadas quatro pessoas nessa condição.

Conforme a dirigente da saúde, os alertas também dão resultados. “Se o drone detecta aglomeração numa fila de banco, gente na praia ou pessoas sem máscara, o alto falante é usado para fazer o alerta. As pessoas estão aceitando bem.” Desde o início da pandemia, São Sebastião adotou outras medidas duras para reduzir o contágio. Além de instalar barreiras em acessos, a circulação pelas praias está proibida desde 27 de março. O município investiu R$ 9,5 milhões em medidas de controle e atendimento, incluindo a compra de ventiladores pulmonares e de 11,5 mil testes da covid-19, instalação de hospitais de campanha e ampliação de leitos de UTI.

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