STR / AFP
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Com carnaval e aumento de novos casos fora da China, Brasil amplia alerta do coronavírus

Até essa sexta-feira, 21, Ministério da Saúde só investigava a doença em pessoas que estiveram na China; agora protocolo irá analisar pessoas que vieram demais sete países asiáticos

Isabela Palhares e Paula Felix, O Estado de S.Paulo

21 de fevereiro de 2020 | 15h46

SÃO PAULO - O Ministério da Saúde decidiu nesta sexta-feira, 21, ampliar para mais sete países asiáticos o alerta para casos suspeitos de coronavírus. Até então, só eram considerado suspeito os casos de pessoas que estiveram na China. Segundo a pasta, a ampliação ocorreu após um salto de novos casos da doença fora da China e pelo aumento do fluxo de estrangeiros no Brasil por causa do carnaval. 

Nessa sexta-feira, o Brasil só tem um caso suspeito para o vírus - outros 51 que já foram investigados foram descartados para coronavírus. O único caso sob investigação é no Rio de Janeiro - na quinta-feira também havia apenas um caso suspeito no País, mas já descartado em São Paulo. 

A ampliação de definição de caso suspeito passará a considerar o Japão, Coreia do Norte, Coreia do Sul, Singapura, Vietnã, Camboja e Tailândia. Por serem países com maior fluxo de viagens com o Brasil, o Ministério da Saúde alertou que, nos próximos dias, pode ocorrer um aumento significativo de casos suspeitos no País - ainda não há a circulação do vírus em território brasileiro. 

"A decisão ocorreu por prudência, para aumentar a vigilância. Nos últimos dias, foi detectado um aumento muito grande da circulação do coronavírus em outros países. Por isso, decidimos ampliar o critério", disse João Gabbardo dos Reis, secretário-executivo do Ministério da Saúde. Entre a quinta-feira, 20, e essa sexta-feira, foi registrado um aumento de 14% no número de novos casos confirmados para a doença - um total de 149 - fora da China. 

Em apenas um dia, a Coreia do Sul reportou à Organização Mundial da Saúde (OMS) 100 novos casos, dobrando o número total que antes era de 104 confirmações. O país tamb[em instituiu a quarentena para mais de 9 mil pessoas. 

Segundo Reis, o Japão foi incluído na lista por ter o segundo maior número de casos depois da China, já são 706. "Além de ser o que país com o maior fluxo para o Brasil. Por isso, é importante sermos bastante vigilantes". 

Situação controlada

Cônsul-geral-adjunto do Japão em São Paulo, Akira Kusunoki diz que a situação está controlada no país."São 85 casos confirmados no Japão, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde). Estamos tomando as medidas apropriadas e rígidas, como quarentena, para evitar a propagação em larga escala, algo que não está acontecendo. Existe o caso do cruzeiro que aportou em Yokohama, mas está totalmente controlado."

O cruzeiro foi colocado em quarentena com pouco mais de 3.700 pessoas a bordo (entre passageiros e tripulação) em 3 de fevereiro, depois que um passageiro desembarcado foi infectado com o coronavírus COVID-19. Desde então, foram confirmadas 634 pessoas infectadas, que foram gradualmente hospitalizadas em vários centros médicos. Segundo o Ministério da Saúde, um total de 717 pessoas desembarcaram do navio entre quarta e quinta-feira desta semana.

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