Wether Santana/ Estadão
Wether Santana/ Estadão

Com casos em queda, Covas quer reduzir leitos de UTI para covid em SP e ampliar outros tratamentos

Prefeito da capital paulista disse negociar mudanças no Plano SP com o governo estadual

Bruno Ribeiro, O Estado de S. Paulo

13 de julho de 2020 | 19h13
Atualizado 15 de julho de 2020 | 17h21

A Prefeitura de São Paulo quer começar a usar os leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTI) reservados para a covid-19 para receber pacientes da cidade com outras doenças, segundo disse nesta segunda-feira o prefeito Bruno Covas (PSDB). Mas, para isso, terá de negociar com o governo do Estado uma regra que permita essa mudança sem piorar a classificação da capital no Plano São Paulo, o programa de reabertura econômica em meio à pandemia.

A questão é que, ao reduzir o número de leitos de UTI, a cidade aumenta a taxa de ocupação desses leitos, e a média da taxa de ocupação das UTIs nos sete dias anteriores é um dos critérios para avaliar se a cidade pode continuar na fase amarela, voltar para fase vermelha ou seguir para a fase verde, em que mais setores econômicos podem normalizar seus trabalhos. 

“A gente entende que ter 60% dos leitos ocupados era algo muito importante no início da pandemia. Agora, no momento que estamos vivendo, em que há estabilidade dos dados, em que há uma estabilização em relação às solicitações de leitos de UTI, às mortes semanais, não tem sentido a gente deixar 400, 500, 600 leitos sem utilização só para atingir esse índice”, disse o prefeito da capital.

A cidade de São Paulo, nesta segunda-feira, estava com uma taxa de ocupação de 54% dos leitos de UTI na rede pública. Ou seja: dos 1.047 leitos disponíveis, 478 estavam vazios, sem uso nem por pacientes do coronavírus nem por pessoas com outras doenças. “A gente poderia utilizar leito que está hoje disponibilizado para a covid, e não utilizado, para poder retomar as cirurgias eletivas na cidade”, afirmou Covas.

O índice do Plano São Paulo, entretanto, considera também a quantidade de vagas livres na rede privada e soma os dados, gerando um índice único por cidade. Sob esses critérios, a taxa da cidade é de 66%, número que mantém a capital na fase amarela do plano. 

“A gente já discute com o governo do Estado de que forma essa nova realidade que a gente vive é possível a gente avançar para as outras fases com muito mais tranquilidade do que a gente tinha no início da pandemia, quando a gente não sabia exatamente como ia se comportar a curva na cidade de São Paulo”, afirmou Covas.

Esta é a terceira semana que a cidade está na fase amarela, e já há liberação para escritórios, comércio, bares, restaurantes, parques e academias, mas todos com restrições. A cidade recebeu liberação do Estado para autorizar também a reabertura de teatros e cinemas a partir da semana que vem, caso não mude de cor, mas a vigilância sanitária municipal ainda avalia como proceder com essas duas atividades. 

Há duas semanas, a Prefeitura fechou o Hospital de Campanha do Pacaembu, o primeiro a ser construído no País para combater a pandemia, sob o argumento de que o custo para operar e manter o espaço já não compensava a demanda de casos, que poderia ser atendida nas demais unidades da rede pública. 

A secretária estadual de Desenvolvimento Econômico, Patrícia Ellen, uma das coordenadoras do Plano São Paulo, afirma que a demanda da capital está sendo analisada pelo governo e pelo Centro de Contingência do Coronavírus. "Nós recebemos algumas demandas semelhantes de recalibragem do Plano São Paulo e é natural ter momentos de recalibragem", disse a secretária. "Estamos em uma outra fase (da pandemia), claramente, e esse trabalho vai ser feito nas próximas semanas", afirmou. 

Patrícia disse também que estão sendo feitas avaliações de impacto da adoção desse e de outros pedidos vindos dos prefeitos, mas que as mudanças estão sendo feitas respeitando intervalos de 15 dias, para acompanhar a evolução da doença. No caso da demanda das UTIs, no atual monento, "de fato, pode não fazer sentido em um lugar como São Paulo, que tem tanto leito". "Eles submeteram a análise, a gente entendeu que é uma análise importante de ser realizada e ela está sendo feita agora", afirmou, ao ressaltar que essas mudanças não alteram o decreto que criou o Plano São Paulo.

A nova avaliação das cidades paulistas está marcada para a sexta-feira, dia 17. Mas, seguindo as regras do plano, nesta semana as regiões poderão apenas manter a classificação que já têm ou regredir para uma fase anterior. Só no próximo dia 24 é que poderão haver avanços para fases mais brandas. 

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