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Com coronavírus, cemitérios privados reforçam proteção e até treinam funcionários para fazer velório

Sepultamentos reúnem menos pessoas e cerimônias ficaram mais curtas

Felipe Resk, O Estado de S.Paulo

03 de abril de 2020 | 05h00

Entre cemitério particulares de São Paulo, o avanço do novo coronavírus não interferiu até o momento no volume de enterros ou na procura por jazigos na cidade de São Paulo, segundo relatam representantes do setor. Ainda assim, unidades da capital têm adotado uma série de medidas adicionais de segurança e até treinado funcionários administrativos, deixando a equipe de sobreaviso caso seja necessário trabalhar diretamente no sepultamento de vítimas do covid-19.

Por causa da pandemia, o Serviço Funerário, órgão ligado à Prefeitura de São Paulo, limitou velórios a uma hora de duração e proibiu cerimônias com mais de dez participantes ao mesmo tempo. Para casos suspeitos ou confirmados de covid-19, também há recomendação de uso de caixão fechado.

No Memorial Parque das Cerejeiras, no Jardim Ângela, na zona sul, as restrições foram além. Missas, palestras e exumações estão suspensas desde a semana passada para evitar aglomerações. No administrativo, vendas presenciais estão interrompidas. O cemitério abriu mão, ainda, de cobrar taxa de velório por causa da redução de 12 horas para 1 hora de duração.

Na unidade, só houve enterro de um caso confirmado de coronavírus até aqui. “Por enquanto, estamos sentindo que não houve aumento de sepultamentos. Na verdade, se não estiver igual, está até menor”, afirma o gerente comercial Francisco Amaral. “Mas entendemos também que cemitério é serviço essencial e não pode parar a operação se houver agravamento do quadro.”

Cerca de 60 empregados atuam presencialmente, mas foram divididos em três equipes por causa do coronavírus. Cada grupo trabalha por um dia no local e passa outros dois em casa – estratégia para facilitar o isolamento se houver algum caso de infecção.

Com estoque de 6 mil jazigos disponíveis, o Memorial também tem treinado funcionários de outros setores para atuar em enterros. “A mão de obra é o que mais nos preocupa: toda a equipe que não é voltada para o cemitério, em si, está em alerta caso precise ir a campo”, diz o gerente.

No Cemitério Gethsêmani, no Morumbi, zona sul paulistana, o gerente-administrador Nelson Oliveira diz que a pandemia pouco tem mudado a rotina do cemitério, que realiza de três a cinco sepultamentos por dia. “Já tivemos uns três casos de covid-19, mas a rotina está tranquila por enquanto. Não aumentou em nada.”

Segundo Oliveira, funcionários já usavam equipamentos individuais de proteção, como óculos, máscara e luva, mesmo antes do coronavírus. “Estamos lidando com calma, com tranquilidade: evitando aglomerações e tendo um pouco mais de cuidado com a higiene”, afirma.

Entre os representantes de cemitérios, é unanimidade a constatação de que os velórios têm reunido só o grupo familiar mais próximo, reduzindo consideravelmente a presença de pessoas no local. Em casos confirmados de covid-19, os próprios parentes têm optado, ainda, por dispensar a cerimônia e realizar logo o enterro, segundo relatam.

“Se a família quiser muito, a gente só abre o caixão por pouco tempo, em um lugar apropriado para isso. Mas não houve nenhum caso assim”, relata uma funcionária do Cemitério do Carmo, em Itaquera, na zona leste de São Paulo, que optou por não se identificar. “A principal mudança é que precisa usar máscara até na hora do sepultamento. Antes, era só na exumação. No mais, a rotina é praticamente a mesma.”

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