Cacalo Nuevo/ Hospital de Câncer de Barretos
Cacalo Nuevo/ Hospital de Câncer de Barretos

Rede solidária garante funcionamento de Hospital de Câncer de Barretos

Instituição tem cerca de 700 voluntários espalhados pelo Brasil que promovem leilões em prol da causa; quem passou por tratamento no local também doa como retribuição pelo serviço gratuito

Ludimila Honorato e Paulo Beraldo, O Estado de S.Paulo

22 Maio 2017 | 05h00

SÃO PAULO - Nove mil quilos de arroz, quase seis mil quilos de feijão e mais de 21 mil litros de leite. Pode parecer muito, mas é apenas uma parte dos produtos necessários para alimentar os milhares de pacientes a cada mês no Hospital de Câncer de Barretos, no interior de São Paulo.

Neste ano, a média tem sido de 6 mil atendimentos diários. São pessoas que vêm de todos os cantos do País em busca de tratamento gratuito em um centro que é referência no tratamento e prevenção do câncer no Brasil e na América Latina. 

Para dar conta dessa demanda, do custo operacional de R$ 35 milhões por mês e dos 4 mil funcionários - entre eles, 520 médicos -, o hospital recebe muitas doações. Apesar do aporte do Sistema Único de Saúde (SUS), a instituição trabalha com um déficit mensal de 21,4 milhões.

Boa parte da ajuda vem de pessoas que passaram por tratamento no local e decidem auxiliar para retribuir os serviços. Outros conhecem a causa, se solidarizam e promovem eventos ou doam dinheiro.

A rede solidária que se formou ao longo dos 50 anos de funcionamento é organizada por um departamento interno de captação. Larissa Mello, coordenadora de campanhas do hospital, diz que eles possuem cerca de 700 coordenadores espalhados pelo Brasil.

“São voluntários que mobilizam os seus municípios em prol da causa e organizam leilões, jantares com shows, quermesses. Nós damos o suporte para montarem uma comissão, e tudo o que é arrecadado vem para o hospital”, explica. No ano passado, foram realizados 395 leilões. Para 2017, a estimativa é de 450.

O hospital utiliza as redes sociais para estimular as doações e informar sobre os avanços tecnológicos e tratamentos disponíveis. As páginas também promovem campanhas de prevenção.

Das doações de quem se tratou no hospital, uma ganhou destaque no começo do mês pela iniciativa de uma menina de 9 anos. Como presente de aniversário, em vez de brinquedos ou roupas, a pequena Beatriz Simionato quis arrecadar leite para doar à instituição. A própria coordenadora de campanhas Larissa Mello, há nove anos na função, admite: “nunca acompanhei uma criança tão empenhada”.

Beatriz foi internada no hospital dias depois de completar 4 anos para tratar um câncer no abdômen. Com três tumores malignos na região, ela foi curada em tempo recorde, conta Cintia Simionato, mãe da menina.

“A descoberta do câncer foi rápida, ela reagiu bem ao tratamento e isso ajudou na cura. O que era pra ter sido feito em nove meses, os médicos conseguiram realizar em três por conta da boa reação que ela teve”, diz.

Durante o tratamento, leite era o que Beatriz mais tomava, e com frequência, por isso a escolha do alimento para doar. O que era para ser um pedido apenas aos convidados da festa, virou uma campanha maior que resultou em mais de 5 mil litros do produto.

 

Para o próximo ano, Beatriz já tem uma nova meta. “Quero arrecadar brinquedos agora”, declara. A mãe, com orgulho, apoia. “Ela sempre participa de campanhas. Ela amadureceu rápido e agora sempre está envolvida em alguma causa”, diz Cintia.

Doações. Larissa Mello, coordenadora das campanhas, diz que existem diversas formas de doar. Podem ser feitas em dinheiro, pessoalmente ou pelo site. Há quem doe roupas, perucas, lacres de latinhas e alimentos.

Outra possibilidade é espalhar cofrinhos nos comércios da cidade. A pessoa torna-se responsável por eles e depois de um tempo entrega ao hospital. As notas fiscais de compras em qualquer estabelecimento também podem ser doadas. Basta não colocar o CPF na nota e depositar em alguma das urnas da instituição espalhadas pelo Estado.

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