DANIEL TEIXEIRA/ESTADÃO
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Com déficit de R$ 2,5 mi/mês, Hospital São Paulo pode reduzir atendimento

Administrado pela Unifesp, centro médico trabalha com ao menos 150 funcionários abaixo do necessário e já tem de fazer mais procedimentos do que a capacidade; situação ‘beira o limite’, de acordo com a administração, que cobra o governo federal

Isabela Palhares, O Estado de S. Paulo

28 Abril 2015 | 03h00

Com déficit mensal de cerca de R$ 2,5 milhões, o Hospital São Paulo, administrado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), está trabalhando com ao menos 150 funcionários abaixo do necessário e já tem de fazer mais atendimentos do que sua capacidade. José Roberto Ferraro, superintendente da unidade, disse que a situação do hospital “beira o limite” e não descarta a necessidade de reduzir serviços nos próximos meses, caso não consiga aumento de repasses federais.

Na tarde desta segunda-feira, 12 pessoas estavam sendo atendidas em macas espalhadas pelo corredor do hospital. Na porta do pronto-socorro pediátrico, um cartaz informava que a unidade estava “superlotada” e só seriam atendidos casos de urgência e emergência.

De acordo com a direção do Sindicato dos Trabalhadores da Unifesp (Sintunifesp), apenas neste ano foram cerca de 200 demissões - a maior parte no setor de enfermaria. Em nota, a Unifesp admite que, por causa do orçamento deficitário deste ano, não repôs as vagas de funcionários demitidos desde setembro do ano passado. As reposições, segundo a universidade, só são feitas em serviços considerados essenciais - sem informar quais.

Funcionários, que não quiseram ser identificados por medo de represálias, disseram que o excesso de pacientes e a redução do quadro está comprometendo a qualidade do atendimento. O aposentado Agostinho Noronha, de 59 anos, ficou quatro dias internado no hospital, sendo atendido em uma maca no corredor. Ele faz tratamento há oito meses contra câncer de pulmão. “Os médicos tentam nos atender bem, mas são muitos pacientes. O atendimento é demorado, e a gente fica jogado em um corredor”, disse.

A atendente de telemarketing Marilze Dias de Oliveira acompanhava ontem a mãe, de 88 anos, que também faz tratamento contra câncer. Elas já esperavam havia oito horas por atendimento no corredor. “A gente vê de tudo aqui, gente baleada, sangrando, desmaiando. É terrível”, disse Marilze.

Protesto. Uma enfermeira do setor de cirurgia pediátrica, que não quis ser identificada, disse que a situação se agrava a cada dia porque os próprios funcionários não aguentam a pressão física e psicológica do trabalho e pedem demissão. O setor está com os 25 leitos ocupados, mas há apenas quatro técnicas e auxiliares de enfermagem para atender as crianças. “São crianças em estado grave. Imagine, quatro pessoas para fazer todo esse trabalho? É quase impossível”, disse.

Para pressionar a chefia a contratar novos profissionais, as enfermeiras do setor estão fazendo um protesto silencioso, em que vestem roupa preta para chamar a atenção dos pacientes e superiores. “Diferentemente de outras profissões, nós não podemos fazer paralisação ou operação tartaruga. Essas crianças precisam do nosso atendimento de forma integral. Essa foi a única forma que encontramos para chamar a atenção para nossa situação.”

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