MÁRCIO FERNANDES/ESTADÃO
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Com dívida de R$ 22 mi, Santa Casa perde 1,1 mil funcionários da limpeza

Terceirizada rompeu contrato por atraso em repasses; trabalhadores já receberam aviso prévio e ficarão na instituição até o dia 4

Fabiana Cambricoli, O Estado de S. Paulo

17 Dezembro 2014 | 22h38

SÃO PAULO - Sem receber R$ 22 milhões devidos pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo nos últimos meses, a empresa terceirizada contratada pela entidade para cuidar dos serviços de limpeza e manutenção cancelou nesta quarta-feira, 17, o contrato com a instituição e anunciou a demissão de 1.100 funcionários que atuavam no complexo hospitalar. A Santa Casa informou que busca uma solução para o problema.

De acordo com a assessoria de imprensa da empresa Dalkia Ambiental/Vivante, a Santa Casa vinha atrasando os pagamentos mensais desde junho, acumulando uma dívida direta de R$ 22 milhões, além de encargos referentes a juros e multas decorrentes de descumprimento de cláusulas contratuais, que somariam outros R$ 28 milhões. Segundo a empresa, até agora, o salário dos mais de mil funcionários da Vivante que atuavam de forma terceirizada estava sendo pago com dinheiro próprio.

O atraso nos repasses estava comprometendo, segundo a empresa, até mesmo a compra de materiais de higiene e limpeza necessários para a realização dos serviços na entidade. A Vivante diz ter avisado a instituição filantrópica sobre a situação há mais de um mês.

A empresa afirmou ainda que os funcionários demitidos receberam o aviso prévio nesta quarta e ficarão no posto até o dia 4 de janeiro, quando a interrupção dos serviços será efetivada. De acordo com a Vivante, antes de tomar a decisão de cancelamento do contrato, a empresa tentou, sem sucesso, resolver a situação com a Santa Casa e o governo do Estado. Também realizou reuniões com representantes da entidade e de sindicatos.

Solução. Procurada pelo Estado, a assessoria da Santa Casa de Misericórdia afirmou que a direção da instituição foi comunicada nesta quarta sobre a interrupção dos serviços por parte da empresa Vivante e da demissão dos funcionários. Disse ainda que a nova superintendência da entidade, que assumiu a gestão em setembro, “está buscando uma solução para a substituição da prestação do serviço de limpeza a partir de janeiro, de forma a garantir a continuidade do atendimento à população”.

A Santa Casa não informou se tem funcionários próprios de limpeza e como ficará o serviço após a saída da Vivante. A empresa, por sua vez, afirmou que todas as atividades de limpeza e de manutenção eram executadas exclusivamente por seus funcionários.

Crise. Com dívidas de mais de R$ 400 milhões, a Santa Casa teve sua crise financeira agravada em julho, também graças a problemas de pagamento a fornecedores.

Na ocasião, a Provedoria da instituição fechou o Pronto-Socorro do Hospital Central, no centro da capital paulista, por 30 horas, alegando falta de verba para a compra de materiais e medicamentos. A dívida com fornecedores na época chegava a R$ 50 milhões, de acordo com a direção da unidade.

O pronto-socorro só foi reaberto após o repasse emergencial de R$ 3 milhões por parte da Secretaria da Saúde, que instaurou auditoria nas contas da entidade para apurar possíveis falhas na gestão. Duas análises das contas, uma feita por comissão interna e outra por empresa independente, apontaram problemas em contratos.

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