Prefeitura de Quatá/Divulgação
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Com duas mortes, pequena Quatá depende de ambulância para casos graves de coronavírus

Veículos levam pacientes para o hospital de Rancharia, a 23 km, que tem dez leitos de UTI, mas só um reservado para a covid-19

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

12 de maio de 2020 | 10h00

Para se socorrer em caso de sintomas graves do novo coronavírus, os 14.109 moradores de Quatá, no oeste paulista, têm à sua disposição duas ambulâncias de suporte médio. É com elas que os pacientes são levados para o hospital de Rancharia, a 23 km, que tem dez leitos de UTI, mas só um reservado para a covid-19. Além dos pacientes da própria cidade, a unidade hospitalar recebe também doentes de João Ramalho, Iepê, Nantes e Quatá, pequenas cidades próximas que somam cerca de 60 mil habitantes.

Se o único leito para covid-19 de Rancharia estiver em uso, pacientes graves dessas cidades terão de ser levados para um hospital de Presidente Prudente, a 80 km. “Em nosso caso (Quatá), como não temos ambulância UTI, a prefeitura contrata o transporte terceirizado para Presidente Prudente, como já foi feito em outras ocasiões”, explica a enfermeira Ivana Cristina Roncada Giacon, técnica responsável pelo comitê da covid-19 no município. A cidade não tem hospital nem leitos de UTI, mas já registrou 10 casos confirmados e 2 mortes por coronavírus, além de ter outros 15 casos suspeitos.

Uma das funções da Secretaria da Saúde local é “encaminhar pacientes a outras unidades de saúde, quando os recursos locais forem insuficientes”, como expressa o site oficial do município. Para isso, a ocupação nos hospitais de referência da região é monitorada diariamente. “Temos uma situação tranquila hoje (segunda-feira), pois há vagas no Hospital Regional de Presidente Prudente e o leito de UTI de Rancharia também está vago”, disse Ivana.

Uma das ambulâncias está sempre abastecida e com a equipe de socorristas de prontidão para emergências, como a que aconteceu no fim de abril. Um morador de 69 anos diagnosticado com a covid-19 passou mal, foi levado para a UTI de Rancharia, mas morreu no último dia 1º. “A gente fez o atendimento dele em nossa central da covid, que fica numa sala separada do pronto-socorro. Ele passou pelo raio-x e foi para casa em isolamento, mas piorou. Quando voltou à nossa unidade, foi atendido e levado para Rancharia, onde chegou a ser entubado, mas não se recuperou”, conta a enfermeira.

Um dia depois, houve um segundo óbito. A vítima dessa vez foi o secretário municipal da Fazenda, José Carlos Salata, de 75 anos. Segundo Ivana, o agente público havia sido internado pela família, com sintomas da doença, no Hospital das Clínicas de Marília. “Ele foi levado em veículo particular e ficou internado mais de um mês, mas infelizmente veio a óbito”, disse. O corpo foi sepultado no cemitério de Quatá, em cerimônia rápida, reservada a familiares mais próximos. A prefeitura divulgou nota lamentando o falecimento.

Ivana afirma, ainda, que a prefeitura decretou quarentena e obrigou o uso de máscaras, mas os casos suspeitos continuam chegando. “Às vezes atendemos 2 ou 3 pacientes sintomáticos ao mesmo tempo. Infelizmente, não estão respeitando o isolamento.” Na semana passada, um morador da cidade retornou de Portugal, apresentou sintomas e está em isolamento. “Ele tinha ido visitar familiares e ficou retido lá, quando surgiu a pandemia. Só conseguiu ser resgatado agora e há quatro dias apresentou sintomas.”

Com o comércio fechado, muitos moradores pressionam a prefeitura para retomar as atividades. De acordo com o secretário da Cultura Gustavo Pilizari, que acumula a pasta da Promoção Social, o número de pessoas desempregadas aumentou. “Nossa média é distribuir 40 cestas básicas por mês, mas em abril entregamos 150”, disse. Segundo ele, o coronavírus foi trazido à cidade por um deputado que passou pela região e testou positivo após ter se reunido com lideranças locais.

O pequeno empreendedor Edson Rodrigues, o ‘Edinho das Massas Artesanais’, conta que numa cidade onde todos se conhecem pode ser mais fácil disseminar o vírus. “As pessoas estão mais próximas umas das outras e isso é um risco, pois cidade pequena tem mais idosos. Felizmente, a máscara pegou e a maioria usa.” Rodrigues faz entregas de massas em cidades vizinhas e mantém sua clientela em Quatá, mas teve de suspender as aulas de culinária devido ao vírus. “Alguns clientes deixaram de pedir entregas por medo, em compensação outras pessoas vêm buscar em casa e atendo com todo cuidado.”

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