Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Com escassez de máscaras, minoria segue orientação para se proteger com pano

Ministério da Saúde tem recomendado que população confeccione os próprios equipamentos; profissionais de saúde devem ter prioridade para o uso

Tulio Kruse, O Estado de S.Paulo

02 de abril de 2020 | 12h00

SÃO PAULO  Em meio à escassez de máscaras descartáveis no País, a parcela da população já aderiu à produção caseira da proteção é minoria. Nesta quarta-feira, 1, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, sugeriu a confecção de máscaras de pano pela população para se prevenir contra a pandemia do novo coronavírus. O produto está em falta nos hospitais. 

Mesmo sem comprovação de que a máscara proteja pessoas saudáveis do coronavírus, muitas pessoas que não pertencem aos grupos prioritários têm usado por precaução. Em São Paulo, quem não conseguiu comprar máscaras antes da escassez agora tem de improvisar. 

O aposentado João Murilo da Costa tem revesado entre três máscaras de pano que usa quando vai ao banco, à lotérica ou ao mercado na Brasilândia, na zona norte da capital, onde mora. “Foi minha mulher que fez (a máscara) para eu usar”, ele conta. “Quando volto de casa, entrego para ela e pego outra.”

Integrante do grupo de risco pára o novo coronavírus, ele não quis informar a sua idade. Costa não sabia da recomendação do governo federal, mas a família não conseguiu mais encontrar máscaras no bairro. 

A técnica de enfermagem Maria José dos Santos, de 54 anos, tem usado todos os dias máscaras para ir e voltar do trabalho, mesmo sem estar no grupo recomendado para usar o equipamento até agora. Ela atende uma mulher de 92 anos — o que a coloca no grupo de pessoas para os quais a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda uso de máscara profissional — e tem tomados precauções para não trazer o vírus para o leito da sua paciente. 

“No trem são muitas pessoas, no metrô também. Eu vou saber quem está infectado ali? Então eu uso para a minha prevenção, visto que cuido de idoso", ela conta. Maria José faz o trajeto entre o Itaim Paulista, na zona leste, e a região de Higienópolis, no centro, muitas vezes durante os horários mais movimentados do transporte público. “Tenho que prevenir inclusive a minha paciente.”

Já a diarista Silvia da Silva, de 43 anos, esperava o metrô esvaziar em frente à estação Marechal Deodoro, para conseguir voltar para casa em vagões, por volta das 18h desta quarta. Ela usava uma máscara descartável de tecido, que passou a usar há duas semanas, mesmo sem apresentar sintomas. 

“Minha vizinha trabalha num posto de saúde e ela me fornece, então todo dia eu volto para casa e devolvo uma máscara, e ela me dá um nova”, conta Silvia. Ela intensificou o uso da máscara nos últimos dias, pois na semana foi dispensada do serviço. “Estou usando sempre que saio de casa.”

Recomendações

O governo estuda mudar a recomendação para que máscaras sejam usadas também por pessoas que não tenham os sintomas do novo coronavírus. Até agora, o Ministério da Saúde segue a orientação da OMS, que indica o uso de máscaras faciais descartáveis para profissionais da saúde, cuidadores de idosos, mães em fase de amamentação e pessoas diagnosticadas com o vírus.

O uso de máscaras improvisadas de tecido divide especialistas em saúde. Alguns consideram o item diante do desabastecimento e outros afirmam que a proteção não é adequada.

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