Cesar Itiberê/PR
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Ministério da Saúde investiga ataque em site para inscrições no Mais Médicos

Página recebeu mais de um milhão de acessos, mais do que o dobre do quantitativo de médicos em atuação no País

Juliana Diógenes e Lígia Formenti, O Estado de S.Paulo

21 Novembro 2018 | 11h36
Atualizado 21 Novembro 2018 | 16h29

O site do programa Mais Médicos saiu do ar três horas após o início das inscrições no novo edital de contratação de profissionais após a saída de Cuba. O Ministério da Saúde diz que o grande número de acessos simultâneos recebido no sistema é "característico de ataques cibernéticos" e está investigando o caso. 

 A pasta afirmou ter recebido um milhão de acessos, mais do que o dobro do quantitativo de médicos em atuação no País. Apenas na primeira hora de início da inscrição, foram recebidas 2 mil inscrições, segundo a pasta. O prazo é até o dia 25 de novembro e o início das atividades está previsto para 3 de dezembro. 

Primeiro, o governo afirmou que o sistema estava instável em função do "grande número de acessos". Segundo a pasta, desde terça-feira, 20, foi registrado 1 milhão de acessos. Depois, ministério informou que investiga suspeita de ataque ao site.

O ministério sugere que  interessados devam manter a tentativa de acesso. Não haverá alteração do cronograma de inscrição,  

Em nota, a Associação Médica Brasileira (AMB) diz ver com preocupação a instabilidade no site e diz que vai solicitar a prorrogação do prazo para inscrição. 

O Ministério da Saúde publicou no Diário Oficial da União (DOU) desta terça-feira, 20, edital para selecionar profissionais que queiram aderir ao programa Mais Médicos. Serão ofertadas 8.517 vagas, das quais 8.332 abertas em decorrência da saída de médicos cubanos do programa, que devem deixar o País até o dia 12 - alguns profissionais já começam a embarcar para a ilha nesta quinta-feira, 22. 

O governo de Cuba anunciou na semana passada o rompimento unilateral da participação no programa Mais Médicos. O motivo para a decisão foram as declarações do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) com críticas ao programa.

Os profissionais selecionados irão atuar em 2.824 municípios e 34 Distritos Sanitários Especiais Indígenas, antes ocupados pelos cubanos. As inscrições começam nesta quarta-feira e seguem até o dia 25 deste mês para médicos brasileiros com CRM Brasil ou com diploma revalidado no País. O salário líquido é de R$ 11.244,56.

O novo edital flexibiliza algumas regras para a seleção de interessados e assim tenta evitar o apagão na assistência básica provocada pela saída de Cuba do programa. O cronograma é mais curto, por exemplo, e os contratados com diploma obtido no exterior serão dispensados de um curso de capacitação, que era exigido desde a criação do programa, em 2013. Veja aqui.

Mudanças no Revalida

O governo decidiu mudar o Revalida, a prova feita para certificação de diplomas de Medicina obtidos no exterior. O ministro da Saúde, Gilberto Occhi, afirmou que as primeiras discussões para a mudança do sistema deverão ser realizadas ainda esta semana com o Ministério da Educação. A ideia é que alterações sejam definidas rapidamente.

Uma das propostas em análise é descentralizar o exame, hoje preparado de forma exclusiva pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas de Educação Anísio Teixeira (Inep). Com a mudança, a prova poderia ser aplicada pelas 54 Universidades Federais que apresentam hospitais universitários.

O formato em discussão pelo governo resgata o sistema que havia antes do Revalida. Até 2010, as provas eram realizadas por universidades federais interessadas. Elas ficavam responsáveis por analisar o currículo do médico formato no Exterior, a preparar o exame e fixavam o valor da taxa cobrada para realização da prova. O modelo era considerado pouco uniforme, com provas com graus de dificuldades distintas e, sobretudo, com valores de inscrição muito diferentes. Na época, as taxas variavam de R$ 100 a R$ 5 mil.

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