DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO
DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO

Com impacto da crise hídrica, casos de dengue triplicam em SP

Cidade tem 1.833 casos confirmados da doença; criadouros do mosquito aumentaram por causa de armazenamento de água

Fabiana Cambricoli, O Estado de S. paulo

12 Março 2015 | 16h51

Atualizada às 21h45

SÃO PAULO - O número de casos de dengue cresceu quase 200% na capital paulista nas oito primeiras semanas do ano, em relação ao mesmo período do ano passado. Balanço divulgado nesta quinta-feira, 12, pela Secretaria Municipal da Saúde mostra ainda o aumento de potenciais criadouros do mosquito Aedes aegypti em recipientes que estão sendo usados pela população para armazenar água, por causa da crise hídrica. 

Até o dia 28 de fevereiro, a cidade teve 1.833 casos confirmados da doença, ante 613 nos dois primeiros meses de 2014. Considerando os casos suspeitos, o número de notificações chega a 7.501. No ano passado, eram 2.581. Uma morte foi confirmada na semana passada e outras duas estão em investigação.

Baldes. A secretaria informou ainda que, em levantamento feito em fevereiro em imóveis de São Paulo, foi detectado aumento de 212% no número de baldes e regadores que armazenavam água de maneira inadequada. No caso de caixas d’água extras, sem ligação com a rede, a alta no número de reservatórios destampados com água foi de 135%. A comparação foi feita em relação ao mesmo levantamento realizado pela Prefeitura em outubro.

Na pesquisa anterior, os agentes haviam encontrado em imóveis da cidade 627 baldes e regadores com água parada sem proteção. O número passou para 2.313 em fevereiro. Esse tipo de recipiente correspondeu a 12,7% do total de reservatórios com água armazenada indevidamente que, portanto, podem se transformar em local de reprodução do mosquito.

“A hipótese levantada por nossos agentes de que o armazenamento de água por causa da crise hídrica era um dos motivos da alta da dengue se confirmou na pesquisa de campo. Podemos dizer que esse é um fator de alto impacto no crescimento da doença, principalmente na zona norte”, diz Paulo Puccini, secretário adjunto da Saúde.

Na pesquisa de campo, que usa a metodologia do LIRAa (Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti), a capital teve 1,01% de imóveis infestados, situação considerada de alerta para epidemia. 

A zona norte é a região que registra o maior número de casos de dengue. Os bairros daquela região respondem por 45% dos registros confirmados até agora. Limão, Jaraguá e Brasilândia são os distritos com as maiores incidências.

Mortes. Nesta quinta-feira, 12, a Prefeitura divulgou mais detalhes da primeira vítima de dengue na cidade neste ano. Moradora da Brasilândia, na zona norte, a mulher tinha 84 anos e apresentou os primeiros sintomas da doença em 16 de janeiro. No dia seguinte, foi internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Metropolitano da Lapa, onde morreu 11 dias depois.

De acordo com a Prefeitura, além da idade avançada, fator de risco para a forma grave da dengue, a mulher tinha outras comorbidades, como a diabete. A secretaria investiga agora mais duas mortes suspeitas de dengue, uma na zona leste e outra na zona sul da capital.

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