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Edemir Rodrigues/Governo do MS
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Mato Grosso do Sul lidera vacinação da covid; entenda os motivos

Proporcionalmente, Estado é o primeiro no ranking de imunização completa, com 28,14% dos habitantes vacinados. Distribuição rápida de doses e bônus financeiro atrelados à aplicação contribuíram para o avanço

Ítalo Lo Re, O Estado de S.Paulo

15 de julho de 2021 | 15h00
Atualizado 15 de julho de 2021 | 16h10

Na corrida da vacinação, o Mato Grosso do Sul lidera com folga como o Estado brasileiro que, proporcionalmente, mais imuniza a população com duas doses ou dose única contra a covid-19: 28,14% dos moradores do MS estavam completamente vacinados até quarta-feira, 14, apontam dados do consórcio de veículos de imprensa. Nas posições seguintes, estão Rio Grande do Sul e Espírito Santo, com, respectivamente, 20,73% e 16,98% da população com imunização completa.

Entre os que mais vacinaram com ao menos uma dose, o Mato Grosso do Sul ocupa a terceira colocação, com 44,96% da população parcialmente imunizada. O Estado fica atrás do Rio Grande do Sul, com 47,92%, e de São Paulo, com 47,72%.

"Lugar de vacina não é na geladeira, é no braço, esse é o nosso lema”, diz o secretário de Saúde do Mato Grosso do Sul, Geraldo Resende. Segundo ele, um primeiro ponto que justifica o sucesso da vacinação no Estado é a unidade criada entre o poder público e a sociedade civil. “Estão todos apontando para a mesma direção."

Foi essa mentalidade que permitiu que diferentes estratégias fossem implementadas. Uma delas, aponta o secretário, é a de entregar as doses aos municípios em até 12 horas depois do recebimento, independentemente do horário em que elas chegam à capital, Campo Grande. “Se chegar à noite, a gente distribui à noite, para aplicarem já na manhã do dia seguinte”, diz.

Outra iniciativa, que surgiu em resposta a pedidos de secretários municipais de Saúde, é o incentivo financeiro condicionado pela quantidade de doses administradas. Desde junho, o governo estadual destina aos municípios R$ 2,10 para cada dose de vacina contra a covid-19 aplicada. “Isso os ajuda a pagar os plantões dos profissionais de saúde e diminui o impacto da vacinação nas despesas”, explica Resende.

O secretário destaca que o valor só é entregue integralmente, no entanto, às cidades que administram mais de 95% das doses recebidas. Aqueles que aplicam entre 90% e 94,99% recebem 70% do valor. As cidades que aplicam menos que isso ou não administram imunizantes nos finais de semana não recebem. “É para incentivar, gerou uma mudança drástica”, diz o secretário, que destaca que a maioria dos municípios aplica mais de 90% das doses.

“Com todas essas medidas, a gente acredita que está tendo um alívio muito forte no sistema de saúde, o que também é associado às medidas não farmacológicas. A taxa de ocupação de leitos está em torno de 70%”, explica o secretário. “Mas nem por isso, é importante lembrar, nós estamos com a guarda baixa.”

O Mato Grosso do Sul implementou uma vigilância para ajudar os municípios que estão mais atrasados no processo de vacinação e passou a fazer levantamentos constantes com todos os municípios, inclusive cobrando para que eles atualizem os dados nos sistemas local e do Ministério da Saúde.

Soma de fatores

“Não tem um fator único que justifique a liderança do Mato Grosso do Sul. O cenário se deve a uma soma de fatores”, diz o médico infectologista, pesquisador da Fiocruz e professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) Julio Croda. Segundo ele, um ponto relevante é que o Estado possui a segunda maior população indígena do País em número absoluto, atrás apenas do Amazonas, e a maior em números proporcionais.

Como os indígenas foram priorizados na fila da vacinação, o Mato Grosso do Sul recebeu muitas doses para aplicar nessa população, que hoje corresponde a cerca de 50 a 80 mil pessoas, estima o pesquisador, e saiu na frente na imunização contra a covid-19.

O incetivo financeiro implementado pelo secretário de Saúde e a alta eficiência na aplicação de doses no Estado também ajudam, aponta Croda. Segundo ele, o Estado é o que tem maior eficiência na aplicação de doses, administrando mais de 95% dos imunizantes que recebe. 

Um dos motivos disso seria o histórico de campanhas vacinais bem sucedidas no Estado, explica o pesquisador. “Além disso, houve disponibilização de vacinas contra a covid-19 tanto em drive-thrus quanto em postos, capilarizando mais a vacinação”, complementa.

Por conta de um estudo encabeçado por Croda, o Mato Grosso do Sul ainda recebeu, no início deste mês, 165,5 mil unidades de vacina da Janssen para aplicação em cidades da fronteira do Estado. Segundo a Secretaria de Saúde, o objetivo é formar uma espécie de “cinturão sanitário” na região, que faz fronteira com Bolívia e Paraguai.

Mesmo que alguns pontos, como o histórico bem sucedido de vacinação, não possam ser desenvolvidos a curto prazo, Croda ressalta que outros Estados podem se espelhar no Mato Grosso do Sul. “Estabelecer metas para utilizar as doses recebidas, dar incentivo financeiro às cidades e garantir o acesso das equipes de saúde às comunidades mais distantes são bons ensinamentos”, diz o pesquisador.

Fazer comparações com Estados como o Amapá, que possui apenas 9,75% da população com imunização completa, é algo que deve ser visto com ressalvas. De acordo com o pesquisador, além de cada Estado ter um ritmo diferente de registro nos sistemas, há muitas especificidades no território brasileiro, como a dificuldade de acesso a populações rurais e a infraestrutura já implementada para a vacinação.

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