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Com lei seca e toque de recolher, cidades do interior de SP reagem à explosão de covid-19

Dados divulgados pelo governo estadual mostram que o interior paulista já supera a capital em número de mortes pela doença

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

26 de junho de 2020 | 05h00

SOROCABA – Com medidas mais drásticas, como toque de recolher e a proibição de bebidas em locais públicos, prefeituras reagem à explosão de casos de coronavírus no interior de São Paulo. Dados divulgados pelo governo estadual mostram que o interior paulista já supera a capital em número de mortes pela covid-19. A expansão do vírus acontece em todas as regiões, inclusive em cidades pequenas, e assusta moradores.

Em Capão Bonito, o prefeito Marcos Citadini (PTB) decretou o rebaixamento da cidade da fase laranja para a vermelha (mais rígida) no plano estadual a partir desta sexta-feira, 26. Um decreto que autorizava o funcionamento de bares e restaurantes foi suspenso. A cidade registrou 17 casos positivos da covid-19 em 24 horas, número recorde.

Conforme o prefeito, as ruas devem ficar vazias das 22 às 5h. “Vamos determinar toque de recolher para que as pessoas só possam ficar nas ruas até às 22 horas, ainda assim para atividades essenciais. Se for comprar remédio ou alguma emergência, vamos aceitar, mas em outros casos vamos multar. Quem fizer festa ou aglomeração em casa também será multado e vamos cobrar a multa junto com o IPTU (imposto predial e territorial urbano)”, disse.

A prefeitura de Porto Feliz baixou decreto proibindo o consumo de bebidas alcoólicas em ruas, calçadas, praças e outros espaços públicos da cidade para evitar aglomerações. A ‘lei seca’ entrou em vigor nesta quinta-feira, 25. Os bares poderão funcionar em ‘drive-thru’ até 18 horas, com proibição do consumo no local. A cidade tem 183 casos confirmados e três óbitos pela doença, mas já registra 17 pacientes internados com a doença. O decreto prevê autuação e multa a quem promover festas, eventos e qualquer tipo de reunião para churrasco ou comemorações em casas, condomínios, chácaras e fazendas.  

Em Limeira, a prefeitura levou em conta a “evolução considerável da doença na cidade” para suspender a flexibilização e voltar à fase vermelha do plano estadual de reabertura. A cidade registrou 105 casos novos em 24 horas – já são 1.161. Conforme o município, “políticas públicas de maior rigor devem ser implementadas” para garantir o atendimento hospitalar aos infectados com sintomas graves. O passe de ônibus para idoso foi limitado a duas viagens por dia. Ao menos 20 estabelecimentos foram autuados e podem pagar multa de R$ 1 mil.

Porto Ferreira também regrediu da fase laranja para a vermelha, devido ao aumento na taxa de contaminação, que triplicou em uma semana. O índice de ocupação dos leitos de UTI chegou a 75%. A prefeitura de Cordeirópolis suspendeu a flexibilização e determinou o fechamento dos órgãos públicos que tinham voltado a funcionar de forma presencial, exceto os de saúde e segurança. 

Em Engenheiro Coelho, todo o comércio voltou a ser fechado e quem descumprir será multado em R$ 1 mil. “Há pouquíssimas vagas de UTI na região”, afirmou o prefeito Pedro Franco (MDB).

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