Charly Triballeau/ AFP
Charly Triballeau/ AFP

Com registro em 65 países, OMS pede calma e insiste que é possível desacelerar coronavírus

Número de novos casos na China continua caindo, com 206 registros nas últimas 24 horas

Giovana Girardi, O Estado de S.Paulo

02 de março de 2020 | 14h02
Atualizado 02 de março de 2020 | 19h14

SÃO PAULO – A Organização Mundial de Saúde anunciou nesta segunda-feira, 2, que o número de países afetados pelo coronavírus já passa de 60. Além da China, 64 países tiveram casos confirmados. Na China, o número de novos casos continua caindo, com apenas 206 casos registrados nas últimas 24 horas – desses, apenas 8 são fora da província de Hubei, epicentro da epidemia no país.

Fora da China já foram registrados 8.774 casos, sendo 1.598 novos, com 128 mortes, de acordo com balanço divulgado pela OMS no fim do dia.

Isso significa que o número de novos casos fora da China já é quase 8 vezes mais do que dentro da China. “Os países que mais preocupam no momento são Coreia do Sul, Itália, Irã e Japão”, afirmou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

O maior número de casos fora da China ocorre na Coreia do Sul, que já registrou mais de 4.200 casos de Covid-19, com 22 mortes. De acordo com Ghebreyesys, os casos parecem estar concentrados em cinco cluster já conhecidos, e não espalhados pela comunidade. "Isso é importante porque indica que medidas de vigilância estão funcionando e a epidemia na Coreia do Sul ainda pode ser contida", disse o diretor-geral da OMS.

Na já tradicional entrevista coletiva à imprensa, que a organização vem realizando desde que considerou a Covid-19 uma emergência internacional, o diretor-geral também comparou o problema com a influenza comum.

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Nós nunca tínhamos visto antes um patógeno respiratório que é capaz de ter transmissão comunitária, mas que também pode ser contido com medidas certas. Se esta fosse uma epidemia de influenza, nós esperaríamos ver uma transmissão mais ampla na comunidade em todo o globo neste momento e esforços para desacelerá-la ou contê-la não seriam factíveis.
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Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS

Ele continuou defendendo que é factível conter o Covid-19. “E isso deve ser a prioridade para todos os países. Com medidas rápidas e agressivas, os países podem parar a transmissão e salvar vidas”, disse.

Até o momento, em todo o mundo, foram registrados 88.948 casos, 90% disso na China. E dos 8.774 casos fora da China, 81% dos casos estão em apenas 4 países; 38 países relataram até dez casos, 19 relataram apenas um caso e vários países não tiveram novos registros nas últimas duas semanas.

“Mais de 130 países ainda não detectaram nenhum caso. Alguns receberam seus primeiros casos somente ontem”, disse. “Alguns têm grupos de casos, com transmissão entre familiares e outros contatos próximos. Alguns têm epidemias em rápida expansão, com sinais de transmissão comunitária. E alguns têm epidemias em declínio e não relatam um caso há mais de duas semanas. Alguns países têm mais de um desses cenários ao mesmo tempo”, continuou Ghebreyesys.

A OMS tem insistido que ainda é possível tentar conter a dispersão da doença. O diretor-executivo do programa de emergências da OMS, Michael Ryan, afirma que para isso não é necessário adotar medidas tão agressivas quanto as que foram adotadas na Província de Hubei, na China, o epicentro da epidemia, que enfrentou quarentena e cidades cercadas, com viagens banidas.

Ele cita como exemplo Cingapura, onde medidas de proteção foram adotadas e o número de casos está caindo.

Segundo ele, é um comportamento diferente do que ocorre, por exemplo, com a gripe sazonal. Para a doença, como existem remédios, vacinas e o modelo de transmissão é bem conhecido, a estratégia adotada pelos sistemas de saúde é proteger individualmente as pessoas. Não se tenta conter a doença, porque já se sabe como proteger as pessoas, com vacina e remédios.

“Mas com o corona, não temos remédio, nem vacina, nem sabemos completamente ainda como é a forma de transmissão, então estamos tentando conter”, disse.

Segundo Ryan, a esperança é, com isso, ganhar tempo, o máximo possível, até ter vacinas e terapias, a fim de salvar vidas. Para a organização, por isso os países precisam estar preparados. Identificar o mais cedo possível os primeiros casos, encontrar essas pessoas, os seus contatos e monitorá-los, para que os casos não se espalhem mais.

A OMS enviou uma equipe de especialistas a Teerã, no Irã, para ajudar na resposta do país ao surto da doença. Até o momento, 978 casos de Covid-19 foram registrados no país, com 54 mortes. 

Casos com histórico de viagens para Irã também foram relatados no Afeganistão, no Canadá, no Líbano, no Paquistão, no Kuwait, no Bahrein, no Iraque, em Omã, no Catar e nos Emirados Árabes Unidos.

Ghebreyesus encerrou a coletiva pedindo mais uma vez calma para as pessoas. “Claro que podemos ter preocupações, mas a mensagem se mantém: se acalmem e façam a coisa certa. E não digo isso para se acalmarem sem evidências. Digo porque temos casos de sucesso da doença sendo contida.”

 

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