Bruno Kelly/REUTERS
Bruno Kelly/REUTERS

Com saúde prestes a entrar em colapso, Amazonas tem menos de um terço dos leitos necessários

No Estado também faltam equipamentos básicos de proteção, respiradores, medicamentos e profissionais de saúde

Marcio Dolzan, O Estado de S.Paulo

23 de abril de 2020 | 16h10

Com o sistema de saúde entrando em colapso por conta da epidemia do novo coronavírus, o estado do Amazonas possui hoje menos de um terço dos leitos necessários para combater a doença na velocidade que ela deverá avançar nas próximas semanas, segundo projeções feitas pelo governo estadual. Tanto o estado quanto a capital, Manaus, apontam para a falta de centenas de leitos, equipamentos básicos de proteção, respiradores, medicamentos e profissionais de saúde.

Segundo dados da Secretaria Estadual de Saúde, hoje o Amazonas possui 668 leitos para o combate à covid-19, incluindo 222 de UTI. A previsão, contudo, é de que o estado necessite de 2.190 leitos nas próximas semanas. A situação se agrava pelo fato de que, para chegar a esse número, são necessários equipamentos e profissionais de saúde que tanto o executivo estadual quanto o da capital afirmam estar com dificuldades para conseguir.

"Precisamos de respiradores, EPIs e recursos humanos", afirmou o governador Wilson Lima (PSC) por videoconferência, durante reunião técnica realizada nesta quinta-feira, 23, por uma comissão da Câmara dos Deputados. Uma das maiores preocupações diz respeito à aquisição de respiradores - o estado prevê a necessidade de adquirir entre 500 e 800 unidades. "Estamos numa guerra mundial para conseguir esses equipamentos, a um preço muito alto, pagando à vista e correndo o risco de não receber."

Lima admitiu que o estado já opera "no limite da capacidade". "Hoje 32 municícios já têm casos confirmados, já temos morte no interior. Nos causa preocupação particular em Manacapuru", revelou o governador. A cidade já registrou 11 mortes por covid-19 e, assim como todas as 61 cidades do interior do Amazonas, não possui UTI.

MANAUS - O prefeito de Manaus, Arthur Virgilio Neto (PSDB), fez um apelo por recursos federais. "Para nós o pior vem por aí, a partir de 15 de maio, e deverá se estender até junho", comentou. "Nós precisamos de rapidez. O vírus tem uma rapidez que a máquina pública não tem. Precisamos de pessoal especializado, EPIS, medicamentos específicos, tomógrafos para algumas unidades de saúde. A situação aqui em Manaus é extremamente grave."

Virgílio também ressaltou a necessidade de isolamento social e citou, em tom crítico, o presidente Jair Bolsonaro. "Nós dizemos para as pessoas ficarem em casa. Essas aparições do presidente da República dizendo que não há perigo, que é pra ir pra rua, desmobilizam", afirmou.

O aumento dos casos de covid-19 na capital do Amazonas também tem levado drama a pacientes de outras doenças, segundo declarou o secretário municipal de saúde, Marcelo Magaldi, durante a videoconferência. "Médicos estão receitando cloroquina e tamiflu, e não temos mais tamiflu para tratar outras doenças, como H1N1. É um absurdo. Nós acionamos nossos fornecedores e eles dizem que o Ministério da Saúde não nos envia. É um apelo. Façam com que o Ministério da Saúde nos mande cloroquina e tamiflu."

O Ministério da Saúde informou que, desde o início da pandemia, repassou ao Amazonas R$ 68,5 milhões, além de 1,2 milhão de equipamentos de proteção e testes. “Também foram enviados 35 respiradores.”

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