Governo do Estado de São Paulo
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Com taxa de isolamento baixa, região metropolitana de SP pode não ter flexibilização, diz Doria

De acordo com o governo, a taxa de isolamento foi novamente de 48% nesta quinta-feira e voltou a acender 'sinal amarelo'

Paloma Cotes e João Ker, O Estado de S.Paulo

24 de abril de 2020 | 13h00
Atualizado 28 de abril de 2020 | 14h30

SÃO PAULO - O governador João Doria (PSDB) afirmou nesta sexta-feira, 24, que se a taxa de isolamento continuar baixa na região metropolitana, não haverá flexibilização da quarentena nesta área do Estado. A quarentena completou um mês nesta sexta-feira e tem validade para todas as 645 cidades do Estado até o dia 10 de maio. Doria anunciou nesta semana, mas sem detalhamento, um plano para reabertura da economia.  

A taxa de isolamento nesta quinta-feira, 23, voltou a ficar em 48% e acendeu novamente um 'sinal amarelo' no governo. "Mais uma vez quero registrar, com a mesma franqueza, que as decisões são tomadas com base na ciência, medicina e saúde. Com 48% de isolamento, não será possível realizarmos flexibilização na região metropolitana de São Paulo. Se não fizerem isolamento, com índice mínimo de 50%, nós revisaremos a decisão a ser anunciada no dia 8 de maio, de flexibilização gradual", afirmou Doria.

O governo considera como meta 60% de isolamento e o ideal é uma taxa de 70%. Esse indíce, de acordo com o governo, evitaria um colapso no sistema de saúde.  

O Plano São Paulo só deve ser detalhado pelo governo no dia 8 de maio. Será um projeto para abrir alguns setores da economia em algumas regiões do Estado. O plano prevê que a abertura vai depender de três critérios: taxa de crescimento do número de pessoas infectadas, capacidade do sistema de saúde de oferecer leitos de internação e número de pessoas testadas para a doença.

A reabertura deve ser gradual e regionalizada, de acordo com o governo, e os municípios serão segmentados de acordo com a situação de saúde de cada um. Haverá uma definição de nível de risco, entre vermellho, amarelo e verde. 

"Não há a menor hipótese de irmos contra a medicina, contra a saúde e contra a vida", afirmou o governador, após ser questionado se cancelaria o plano caso as taxas de isolamento se mantenham baixas. 

Doria, no entanto, destacou que cidades do interior e do litoral vem alcançando índices considerados bons pelo governo, com mais de 60% de taxa de isolamento. Ele destacou algumas delas, como São Sebastião (62%), Ubatuba (61%), Itanhaém, Lorena e Cruzeiro, todas com 60%.

O infectologista David Uip, que é chefe do Centro de Contigência contra a doença no Estado, afirmou que há uma interiorização do vírus. "Não há dúvida de que há uma interiorização do vírus. No litoral, já existe avanço a ponto de o sistema de saúde estar sofrendo. O interior, e isso é uma projeção, deve estar atrasado em termos de epidemia em cerca de duas ou três semanas", afirmou. 

De acordo com a Secretaria Estadual da Saúde, São Paulo tem 16.740 casos confirmados da doença e  1.345 óbitos. Há 1.148 pacientes internados em UTIs e a taxa de ocupação dos leitos em terapia intensiva é de de 57,7% no Estado e de 77% na capital. 

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