EFE/EPA/SALVATORE DI NOLFI
EFE/EPA/SALVATORE DI NOLFI

Com um milhão de casos em oito dias, OMS afirma que efeitos da pandemia serão sentidos por décadas

Diretor-geral da entidade alerta que a covid-19 continua 'acelerando' no mundo

Mohamad Ali Harissi e Esther Sánchez, AFP

22 de junho de 2020 | 16h37

A Organização Mundial da Saúde (OMS) advertiu nesta segunda-feira que a pandemia continua "acelerando" no mundo, depois que o Brasil superou 50 mil mortes por coronavírus no fim de semana e enquanto os países europeus avançam com a flexibilização do confinamento.

"A pandemia de covid-19 continua acelerando, com um milhão de casos registrados em apenas oito dias", afirmou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em uma conferência virtual organizada por Dubai. "Sabemos que a pandemia é muito mais que uma crise de saúde, é uma crise econômica, social e, em muitos países, política. Seus efeitos serão sentidos durante décadas", completou.

O novo coronavírus provocou mais de 468 mil mortes e quase nove milhões de contágios no mundo, desde que o vírus foi detectado na China no fim do ano passado, segundo um balanço da AFP com base em fontes oficiais. A América Latina é a região com o ritmo mais acelerado de propagação da doença atualmente, sobretudo no Brasil.

O País superou a barreira de 50 mil mortos e tem mais de um milhão de contágios, metade dos casos declarados na região. Com mais de 12,5 mil mortes e quase 220 mil contágios acumulados, São Paulo é o Estado brasileiro com mais casos, seguido pelo Rio de Janeiro. O presidente Jair Bolsonaro, que chegou a chamar a doença de "gripezinha", não fez nenhum comentário sobre as 50 mil mortes no fim de semana.

Em Honduras, o presidente Juan Orlando Hernández, que está internado depois de ter sido diagnosticado com a covid-19, pediu aos compatriotas que lutem contra a doença "unidos e sem descanso". O Peru, segundo país latino-americano com mais casos (254.936) e o terceiro em número de mortes (8.045), reabre nesta segunda-feira os centros comerciais após 99 dias de confinamento.

As autoridades, que desejam reativar a economia, descartaram, no entanto, a reabertura de Machu Picchu em julho por atrasos na implementação das medidas de biossegurança neste local emblemático e o temor de contaminação dos moradores da região. 

Estados Unidos, o país mais afetado pelo vírus com quase 120 mil mortos, registrou 305 óbitos nas últimas 24 horas, a terceira vez que o balanço diário ficou abaixo das 400 vítimas fatais desde o início da pandemia em abril. Na Europa, o continente mais afetado pela pandemia com mais de 192 mil mortos e 2,5 milhões de casos, os países avançam a passos largos para deixar para trás o confinamento, que paralisou as economias.

A França iniciou uma nova etapa nesta segunda-feira, com a reabertura de muitos estabelecimentos de lazer, o retorno dos esportes coletivos e a volta generalizada das crianças às escolas. "Espero por ists há semanas. Vou assistir qualquer filme", disse Édouard Feinstein, um cinéfilo de 52 anos que chegou às 9h a um cinema de Paris para adquirir um ingresso após 100 dias fechamento.

A Espanha, que adotou um dos confinamentos mais severos do mundo para conter a pandemia, suspendeu no domingo o estado de alerta e abriu as fronteiras com os demais Estados membros da UE, com exceção de Portugal, o que deve acontecer em 1º de julho. 

Diante do temor de uma segunda onda da doença, como na China, onde depois de dois meses sem novos casos foram detectados mais de 220 contágios em Pequim, as autoridades pedem prudência.

Neste sentido, o diretor da OMS pediu aos governos que se preparem para futuras pandemias que podem acontecer "em qualquer país a qualquer momento e matar milhões de pessoas, porque não estamos preparados". "Não sabemos onde nem quando acontecerá a próxima pandemia, mas sabemos que terá um impacto terrível sobre a vida e economia mundiais", advertiu Tedros.

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