Reprodução/Wikimedia Commons
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Combate ao mosquito tigre asiático deve ser intensificado, defende diretor do Evandro Chagas

Espécie é suspeita de também ser transmissora da febre amarala; exemplares infectados foram achados em Minas

Lígia Formenti, BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

16 Fevereiro 2018 | 18h19

O diretor do Instituto Evandro Chagas, Pedro Vasconcelos, classificou hoje como “preocupante” a identificação do vírus da febre amarela no Aedes albopictus, mosquito conhecido como 'tigre asiático' que vive em área rurais e silvestres.

Embora estudos sejam necessários para verificar se a espécie é também transmissora da doença, Vasconcelos defendeu ações de controle para reduzir as populações do mosquito, numa estratégia preventiva. “A descoberta é preocupante, mas não desesperadora. O que se precisa é fazer um controle vetorial mais rígido nas áreas urbanas e periféricas dos Estados onde eles estão presentes”, disse Vasconcelos.

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A estimativa é de que o mosquito esteja presente em 1.400 cidades, em todas as regiões do País. O  vírus da febre amarela foi encontrado em exemplares de tigres asiáticos coletados no primeiro semestre do ano passado, nas cidades mineiras de Itueta e Alvarenga. Os estudos que identificaram a presença do vírus foram concluídos no mês passado.

Vasconcelos alertou, no entanto, que o achado, sozinho, não permite afirmar que o mosquito transmite a  febre amarela para humanos por meio da picada. “Vários mosquitos são encontrados na floresta infectados pelo vírus da febre amarela, mas somente alguns, como o Sabethes ou Haemagogus são transmissores da forma silvestre” disse.

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Hoje há no Brasil duas possíveis formas de transmissão da febre amarela. A silvestre (provocada pelos mosquitos  Sabethes e Haemagogus), e a urbana, causada pela picada do Aedes aegypti. No Brasil, no entanto, a forma urbana da doença não é identificada desde 1942.

 Se for comprovada a hipótese de que o Aedes albopictus também é vetor de febre amarela, há um risco de o País passar a ter um novo ciclo de transmissão da febre amarela, o rural, hoje existente apenas na África. “Para impedir que ele venha participar desse ciclo de transmissão, é importante fazer o combate ao vetor”, disse. O combate é semelhante ao que é realizado para o Aedes aegypti, completou.

A suspeita de que o Aedes albopictus poderia transmitir febre amarela não é nova.  Vasconcelos informou que estudos laboratoriais realizados no Evandro Chagas e no Centro de Controle de Doenças, em Atlanta, já constataram a capacidade de o mosquito fazer a transmissão. Mas isso não basta. Para confirmar a hipótese, é preciso agora realizar novos estudos, com animais.

 

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Equipes de pesquisadores viajam nos próximos dias para São Paulo, Rio, Minas e Bahia para coletar exemplares de mosquitos. Dois estudos serão realizados. Em um deles, será pesquisada a presença de vírus de febre amarela nos Aedes albopictus capturados na região onde hoje é grande a circulação de febre amarela. “Queremos ver se não foi um achado fortuito”, justificou. Em outra frente, os exemplares coletados terão o vírus de febre amarela inoculado, em várias concentrações. Concluída essa etapa, será a vez de verificar se a picada do mosquito infectado pode transmitir a febre amarela para macacos. A expectativa é de que a pesquisa seja concluída em dois meses.

O presidente do Instituto Evandro Chagas afirma não haver no momento elementos que indiquem uma eventual relação entre o tigre asiático e a epidemia de febre amarela ocorrida no ano passado em Minas e no Espírito Santo. Para ele, no entanto, essa é uma hipótese pouco provável. Vasconcelos afirma que não havia um número muito significativo de tigres asiáticos contaminados, na época da coleta para pesquisa. "Por isso é que precisamos fazer outros estudos de competência vetorial para saber qual a dose mínima ou máxima que o mosquito tem de receber para torná-lo capaz de transmitir a doença", disse.

Tigre asiático. O diretor do Instituto Evandro Chagas, Pedro Vasconcelos, afirma que o Aedes albopictus está presente em cerca de 1.400  municípios brasileiros, sobretudo em áreas rurais. Além de regiões da periferia das cidades onde matas estão presentes, o mosquito, também conhecido como tigre asiático, também e encontrado nas áreas silvestres. Aí está uma das principais diferenças com seu “primo”, o Aedes aegypti que vive predominantemente na área urbana.

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Se pesquisas comprovarem a capacidade vetorial do tigre asiático, o risco de ciclos de febre amarela aumentam. Vasconcelos dá alguns exemplos. O mosquito se contamina na floresta, onde a circulação do vírus é endêmica, voa para áreas próximas da periferia de cidades e ali inicia um novo ciclo de transmissão. “Daí o nome ciclo intermediário.”

Além de picar homens, o Aedes albopictus também pode picar animais. “Ele é mais eclético em seu hábito de sugar sangue. O Aedes aegypti se alimenta sobretudo de sangue humano”, disse.

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