Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Combater a dengue passa por reduzir lixo e até a violência

O Ministério da Saúde informou que o número de casos de dengue registrados no Brasil em 2019 foi o segundo mais alto da série histórica. Epidemias de dengue têm múltiplos fatores

Paula Felix e Renata Okumura, O Estado de S.Paulo

09 de janeiro de 2020 | 05h00

SÃO PAULO - As ações para reduzir o problema da dengue no Brasil envolvem diversas áreas: passam pelo controle do lixo e até pela redução da violência, segundo especialistas. Nesta quarta-feira, 8, o Ministério da Saúde informou que o número de casos de dengue registrados no Brasil em 2019 foi o segundo mais alto da série histórica. Os dados, de janeiro a 7 de dezembro, apontam 1,527 milhão de notificações, concentradas principalmente nas regiões Centro-Oeste e Sudeste.

Para Rivaldo Venâncio da Cunha, infectologista da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), as epidemias de dengue têm múltiplos fatores e, por isso, a atuação deve ser em várias frentes. “Por que há tanto mosquito no País? Temos fatores desde a gestão do espaço público ao comportamento da população, que descarta lixo de forma inadequada. Temos elevada temperatura no País e chuva em abundância. É um problema complexo.”

A violência das cidades, diz, também precisa ser combatida. “Ela dificulta o trabalho porque agentes de controle de endemias não têm mobilidade diante da violência em algumas comunidades.” E até o desemprego pode elevar os casos. “Aumentando a população parada no domicílio, cresce a chance de o mosquito transmitir a doença.” Para Cunha, a educação desde a infância é uma ferramenta contra o problema.

Estratégia

Síndica de um prédio na Vila Clementino, zona sul de São Paulo, Catarina Anderáos, de 43 anos, não tem notícia de casos de dengue entre os moradores há quatro anos. A estatística favorável não é um acaso. “Coloco cartazes nos elevadores e distribuo comunicados por WhatsApp aos moradores. O objetivo é incentivar ações que evitem acúmulo de água e lixo.” Até o paisagismo do condomínio mudou para enfrentar o Aedes. “No novo projeto, orientei a não colocar plantas que tenham folhas que acumulem água para evitar criadouros.” Nos condomínios, cabe ao morador verificar focos no apartamento e, ao síndico, tomar medidas em áreas comuns. 

Outra solução, segundo Cunha, é investir em novas estratégias de combate ao Aedes. “Usamos uma metodologia que foi um sucesso há 110, 115 anos, de jogar fumacê na rua, entrar o agente em casa para ver se tem pneu com água parada e o cidadão ficar passivo. Não está dando certo. Há iniciativas importantes, como armadilhas disseminadoras de larvicidas e o uso de larvicidas biológicos, mas sabemos que não é um problema que será resolvido em seis meses.”

Cuidado com vasos de plantas

1. Verde

Preencha os vasos de plantas com areia para evitar acúmulo de água parada. E redobre a atenção com plantas que acumulam água, como bromélias e espadas-de-são-jorge. 

2. Área de lazer

As piscinas devem ser tratadas com cloro e precisam ser cobertas. Mantenha as caixas d’água tampadas, sem rachaduras ou cobertas com telas tipo mosquiteiro.

3. Chuva

Guarde latas, garrafas e tampas em abrigo protegido da chuva. Lonas, aquários, bacias e brinquedos também devem ficar longe da chuva.

4. Resíduos

 Evite acúmulo de lixo. Os resíduos espalhados podem virar foco de proliferação do mosquito transmissor da dengue. O ideal é deixar o lixo ensacado para coleta.

5. Prédios

Em condomínios, cada um deve cuidar de seu apartamento, garantindo que não existam focos do mosquito Aedes aegypti. E cabe ao síndico tomar medidas preventivas nas áreas de uso comum. 

6.Prevenção pessoal

 Além das medidas para evitar acúmulo de água, calças e camisetas de manga comprida minimizam a exposição da pele a picadas. Os repelentes também podem ser usados. 

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