Começa Campanha Nacional de Combate ao Câncer de Mama

Presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia criticou a subutilização dos mamógrafos na rede pública

Fabiana Cimieri, de O Estado de S. Paulo,

24 de novembro de 2008 | 21h22

Na abertura da Campanha Nacional de Combate ao Câncer de Mama, o presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia, Ricardo Chaves, criticou a subutilização dos mamógrafos na rede pública de saúde. A mamografia é o principal exame utilizado na detecção precoce de tumores mamários.  Veja também: Células-tronco ajudam a reconstruir seios com câncer Segundo ele, os mamógrafos da rede privada fazem cerca de 50 mamografias por dia, cinco ou seis dias por semana. Já os aparelhos utilizados pela rede pública realizam, em média, 16 exames. "O problema não é a falta de mamógrafos, e sim como eles estão sendo utilizados. Temos notícia de aparelhos que sequer foram retirados da caixa", criticou ele, depois de apresentar o filme publicitário da campanha, estrelado pela apresentadora de TV Ana Maria Braga, e que começará a ser exibido na terça-feira, 25.  Na semana passada, em audiência pública em Brasília, Chaves propôs que seja feita uma investigação sobre os motivos dessa subutilização. Ele supõe que falte material de apoio, como filmes, processadores e reveladores, e também operadores qualificados para realizar os exames. O deputado federal José Aristodemo Pinotti (DEM/SP) irá propor a abertura de um processo de fiscalização e controle para apurar as razões. As mulheres que têm plano de saúde não têm dificuldade em agendar e realizar a mamografia, que deve ser feita anualmente pelas mulheres acima de 35 anos ou mais cedo, caso haja outros casos da doença na família. Mas quem depende do SUS encontra uma longa fila de espera para marcar o exame e muitas vezes desiste de realizá-lo.  Segundo Ricardo, mesmo depois de ter o tumor detectado nos exames preventivos - exame clínico, auto-exame ou mamografia - as mulheres têm dificuldades para realizar a biópsia que confirmariam o diagnóstico. Com o resultado em mãos, as dificuldades passam a ser ligadas a onde e quando tratar a doença. Em regiões periféricas e distantes de centros urbanos a distribuição desigual dos mamógrafos dificulta o acesso da maioria das mulheres. Segundo dados do Cadastro Nacional dos Equipamentos de Saúde (CNES), atualizados em agosto deste ano, a região Sudeste conta com 703 mamógrafos para atendimento pelo SUS enquanto a região Norte tem 72 (no Estado de São Paulo são 347 e no Acre, somente um.  No total, existem 3.465 mamógrafos em funcionamento, dos quais 1.495 estão disponíveis para atendimento da rede pública, teoricamente o suficiente para atender à demanda do país.  A campanha da Sociedade Brasileira de Mastologia deste ano está focada na prevenção. De acordo com as estatísticas pacientes com tumores de até dois centímetros de diâmetro têm 90% a 100% de cura, sem necessidade de cirurgias. Amamentação Um mito que a campanha também quer desfazer é o de que a mulher que amamenta não terá câncer de mama. Apesar de alguns estudos indicarem que as mulheres que amamentaram têm menos probabilidade de desenvolver câncer.  Foi o que aconteceu com a fisioterapeuta Gisele Portella, de 29 anos. Ela amamentava a filha de 11 meses quando sentiu um nódulo de "textura estranha" e "dolorido". "Minha vó e tia tiveram câncer, mas não achava que pudesse acontecer comigo tão nova e ainda amamentando", disse ela, que descobriu o tumor no ano passado.  Confirmada a malignidade, ela foi operada, submeteu-se a sessões de quimio e radioterapia e faz exames periódicos. Alta, só depois de cinco anos. "Viver com o fantasma do câncer não é bom, mas a minha vida melhorou muito, passei a me alimentar melhor, me exercitar diariamente a dar mais valor para a vida, antes eu me estressava por muito menos."

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