DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO
DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO

Comércio desrespeita medidas da fase vermelha na cidade de São Paulo

Estabelecimentos da capital ignoram decreto e burlam restrições. Na Rua 12 de Outubro, movimento foi intenso

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

27 de dezembro de 2020 | 05h00

No segundo dia de endurecimento da quarentena em São Paulo, lojas e estabelecimentos comerciais reabriram normalmente, desrespeitando a fase vermelha do Plano SP de combate à pandemia. Neste sábado, 26, um dia após o Natal, os flagrantes foram mais comuns na região da Lapa, zona oeste, e em Santo Amaro, zona sul da cidade.

Nesta fase de restrição, no período entre 25 e 27 de dezembro e 1 e 3 de janeiro, só é permitido o funcionamento dos serviços essenciais, como supermercados, hospitais, postos de combustíveis e farmácias. A intenção é minimizar a contaminação pelo coronavírus.

A Rua Doze de Outubro, na Lapa, zona oeste da cidade, viveu um sábado de movimento intenso no comércio. Estabelecimentos que deveriam estar fechados ignoraram o decreto estadual e abriram as portas. Na loja de calçados Pontal, o movimento era intenso na tarde deste sábado.

O gerente Marcelo Arena reconheceu a irregularidade, mas questionou o decreto estadual. “Nós precisamos trabalhar. Estamos correndo risco de multa, mas não temos opção. Todos os funcionários são comissionados. Se a loja não abrir, eles não ganham. De que adianta uma fase vermelha de apenas um dia? O Natal, dia 25, e o domingo, dia 27, não contam para o comércio”, diz o gerente de 54 anos. “As vendas de 2020 já são 40% menores que as de 2019. Abrir a loja é uma necessidade”, argumenta.

A abertura das lojas foi marcada por clima de tensão e preocupação entre os lojistas. Havia medo de fiscalização e multa. Por isso, algumas lojas abriram as portas apenas parcialmente. Os clientes tinham de se agachar para entrar, mas, lá dentro, a movimentação era grande, como na loja de roupas Eskala. Na maioria delas, funcionários ficavam do lado de fora, prontos para baixar as portas de vez. Era um jeito de burlar as restrições estaduais.

O cenário foi semelhante no Largo 13 de maio, em Santo Amaro, na zona sul. Para minimizar o risco de multas e continuar funcionando, algumas lojas deixavam aberta apenas a entrada dos funcionários. Bastava que o cliente se aproximasse e perguntasse sobre o funcionamento para ser conduzido ao interior da loja. “Eu precisava comprar roupas para o final de ano. Só tinha o dia de hoje”, justificou a empregada doméstica Carla Rodrigues, de 35 anos, saindo de uma dessas portinhas.

Comerciantes de Santo Amaro argumentaram que o sábado é o melhor dia de movimento da semana e que estavam seguindo as medidas de prevenção à covid-19. “Os funcionários estão de máscaras, usamos álcool em gel e mantemos o distanciamento. Assim, acho que podemos trabalhar”, diz um gerente de uma loja de roupas da Lapa que não quer se identificar.

Na região central da cidade, o cenário foi diferente. Praticamente nenhuma loja abriu. Com fiscalização ostensiva nos principais centros de comércio popular como a Rua 25 de março e a região do Brás, todas as lojas estavam fechadas. Ruas inteiras foram bloqueadas pela prefeitura. Mesmo assim, a movimentação foi grande. Na Rua Rangel Pestana, por exemplo, as aglomerações foram causadas pelos vendedores ambulantes que espalharam as mercadorias nas calçadas.

Ao Estadão, a Subprefeitura Lapa informou que as equipes de fiscalização estiveram na região da Rua Doze de Outubro. Lojistas foram orientados quanto aos decretos municipais. Caso insistissem em manter as lojas abertas, eles seriam multados. Ainda de acordo com a prefeitura, 1.311 estabelecimentos foram interditados por descumprirem as regras vigentes desde o início da pandemia. Desses, 885 são bares, restaurantes, lanchonetes e cafeterias. O valor da multa é de R$ 9.231,65 aplicada a cada 250 m².

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