Comissão Européia aprova pílula única para tratar HIV

'Atripla' foi licenciada nos EUA no ano passado; pílula é tratamento, e não cura.

Jane Dreaper, BBC

18 de dezembro de 2007 | 06h35

A Comissão Européia aprovou um tratamento para infecção por HIV, vírus que causa a Aids, que envolve a ingestão de um único comprimido por dia.O medicamento Atripla, que combina três drogas já existentes, foi licenciado nos Estados Unidos em julho do ano passado, e agora foi dado a metade dos pacientes recém-diagnosticados no país.Atripla está sendo qualificado como uma revolução no tratamento de pacientes soropositivos. Ele foi criado em uma colaboração entre três laboratórios rivais -Gilead Sciences, Bristol-Myers Squibb e Merck. Quando os remédios para conter o HIV foram lançados, originalmente em 1996, pacientes infectados - ou soropositivos - tinham que ingerir até 30 comprimidos com o estômago vazio em diferentes horários ao longo do dia.Muitos pacientes acharam difícil manter o tratamento. Agora, para alguns deles, continuar a medicação será tão simples quanto ingerir um único comprimido todos os dias.Os fabricantes de Atripla destacam, contudo, que a pílula é um tratamento para soropositivos, e não uma cura. Sua ingestão não implica na redução do risco de transmissão do vírus.A aprovação do uso do medicamento pelas autoridades européias faz com que Atripla seja disponibilizado inicialmente para soropositivos na Alemanha, na Áustria e na Grã-Bretanha.Simon Portsmouth, especialista britânico no tratamento de soropositivos, disse: "Este é um grande avanço para os pacientes. Ele quase normaliza o HIV.""Eles podem simplesmente tomar este comprimido antes de ir para a cama à noite e isto não domina a vida deles."Portsmouth, do Hospital St. Mary, em Londres, menciona entre os possíveis efeitos colaterais iniciais do medicamento alguma tontura e distúrbios no sono, mas diz que, de maneira geral, o medicamento é bem tolerado pelos pacientes.A Merck está tentando disponibilizar o medicamento a soropositivos na África, a preços mais baixos.Paul Carter, vice-presidente da Gilead, disse que o desenvolvimento de novos medicamentos neste setor é uma tarefa sem fim."O HIV desenvolve resistência e por isso a indústria precisa de um fluxo contínuo de novas drogas", afirmou.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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