Comissão quer visitar hospitais de Franca para investigar morte de 25 crianças

Se denúncia for confirmada, 53 mortes terão ocorrido por infecção hospitalar na cidade em três anos

Chico Siqueira, de O Estado de S.Paulo

22 Junho 2010 | 19h57

ARAÇATUBA - Integrantes da Comissão de Saúde e Higiene da Assembléia Legislativa querem visitar hospitais da cidade de Franca para investigar a denúncia de que 25 crianças morreram em 2010 vítimas de infecção hospitalar na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) referência daquela cidade. Se a denúncia for confirmada, 53 mortes suspeitas terão ocorrido por infecção naquela cidade em três anos.

 

Oito bebês morreram em 2008 e outros 19 em 2009 em circunstâncias semelhantes que estão sendo investigadas pelo Ministério Público. As mortes só foram descobertas em abril de 2010. A nova denúncia chegou à comissão da Assembléia pelo ginecologista e deputado Luiz Carlos Gondim (PPS), membro da comissão.

 

"Recebi telefonemas de pais que disseram que seus filhos morreram de infecção possivelmente por conta de superlotação de UTI neonatal daquela cidade", afirmou. Segundo o presidente da comissão, Fausto Figueira (PT), a comissão já aprovou a ida dos deputados a Franca, só está faltando agendar a data da visita.

 

"Pretendemos fazer como foi feito em Mogi das Cruzes, onde fomos, constatamos os problemas e fizemos a denúncia para o Ministério Público. De acordo com Gondim, as mortes teriam ocorrido na UTI da Santa Casa de Franca. "É o hospital referência em neonatologia, responsável por atender 23 municípios da região. As famílias estão com medo", disse.

 

A UTI é a mesma onde entre 2008 e 2009 ocorreram 27 mortes suspeitas, que foram descobertas somente em 2010. "Essas mortes só foram divulgadas neste ano", disse o promotor da Saúde do município, Décio Antonio Piola.

 

Segundo Piola, as 27 mortes só foram divulgadas em abril deste ano, quando então o Ministério Público abriu inquérito para investigá-las. "Estamos na espera de um laudo do Instituto Adolfo Lutz para confirmar se todas essas mortes foram mesmo por infecção. As de 2008 estão confirmadas", disse.

 

De acordo com o promotor, há uma certeza: "Havia mesmo superlotação da UTI, que podem ter ocasionado essas mortes", disse. "Mas esse problema de superlotação, pelo que percebemos, foi resolvido agora, no começo de junho", completou.

 

De acordo com o promotor, o inquérito, além de tentar encontrar responsáveis pelas mortes, tem objetivo de levantar como a infecção foi transmitida no hospital, se pela superlotação por outra via, como entrada e saída de muitos médicos.

 

Em Fernandópolis, a Polícia Civil abriu inquérito para apurar a morte de um recém-nascido morto no sábado. A criança morreu depois de nascer em parto prematuro.

 

A mãe, de 15 anos, esperou mais de dez por uma vaga numa UTI mneonatal, como não havia como esperar, o bebê foi retirado, mas viveu apenas duas horas. A polícia quer saber se os médicos responsáveis pela Central Reguladora de Vagas (orgão da Secretaria de Saúde responsável por conseguir essas vagas) cometeram negligência.

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