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Comitê internacional considera que País está livre de sarampo

Último caso foi registrado em julho do ano passado, no Ceará. Isso significa que o vírus não está circulando pelo País, mas não elimina necessidade de vacina

Giovana Girardi, O Estado de S. Paulo

26 Julho 2016 | 18h18

O Brasil foi considerado nesta terça-feira, 26, um país livre de sarampo. O reconhecimento foi feito pelo Comitê Internacional de Especialistas de Avaliação e Documentação da Sustentabilidade do Sarampo nas Américas (CIE), que levou em conta que o último caso da doença foi registrado no País em julho de 2105 no Ceará.

Desde 2000, o Brasil não registrava casos de sarampo autóctones (quando a contaminação acontece dentro do País). Em 2013, houve surtos em Pernambuco e no Ceará, o que fez o Brasil passar de dois casos em 2012 para 732 em 2014. 

De acordo com o Ministério da Saúde, entre 2013 a 2015, foram registrados 1.310 casos da doença no País, dos quais 1.278 ocorreram nos dois Estados. 

O reconhecimento foi anunciado por Merceline Dahl-Regis, presidente do CIE, em visita ao Brasil. A expectativa do governo é que até o final do ano a Organização Mundial da Saúde envie um certificado de eliminação do sarampo. Com isso, todo o continente americano será considerado livre de transmissão local da doença.

Apesar de ser considerado uma boa notícia para o Pais, isso não significa que é possível relaxar com o controle. As pessoas ainda podem se contaminar viajando para outros lugares do mundo que continuam com o vírus circulante, como em alguns países da Europa, na Ásia e na África.

Por isso, tanto o Ministério da Saúde quanto a OMS alertam que é preciso continuar tomando a vacina que previne contra a infecção por sarampo.

Casos importados. Foi essa transmissão internacional que ainda não tinha permitido livrar o País da circulação do vírus. Segundo o Ministério da Saúde, em 2000 foram confirmados os últimos surtos autóctones – originados localmente. Eles ocorreram no Acre e no Mato Grosso do Sul.

Mas depois disso ainda continuaram sendo registrados casos importados, considerados, em geral, de pequena magnitude e controláveis com ações de prevenção. Até ocorrerem os surtos do Nordeste nos últimos anos, que pediram uma intervenção mais pesada nas campanhas de vacinação.

É a imunização de toda a população que garante que mesmo se uma pessoa tiver contato com o vírus em outro país, ela não vai se contaminar. Mecanismos de monitoramento também são importantes para controlar eventuais casos importados e evitar a transmissão.

“A vacinação só deixa de ser necessária se a doença estiver extinta em todo mundo, como é a varíola. Mas o sarampo ainda está em vários locais. Com a globalização as pessoas andam para todo lado o tempo todo. Um avião pode trazer alguém incubando o vírus e os não vacinados podem pegar e a doença pode se espalhar novamente”, afirma Paulo Olzon Monteiro da Silva, infectologista da Universidade Federal de São Paulo. 

O mesmo vale para a rubéola e a poliomielite, que também foram erradicadas no País, mas ainda demandam vacinação. 

 

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