Como agir com os idosos durante a pandemia de coronavírus

CONTEÚDO ABERTO PARA NÃO-ASSINANTES: Famílias se veem divididas entre a saudade e a necessidade de preservar a vida de pais e avós; recomendação dos especialistas é evitar visitas, mas ficar atento caso idosos necessitem de ajuda

Paula Felix, O Estado de S.Paulo

07 de abril de 2020 | 05h00

Os idosos formam o grupo que corre mais risco de desenvolver as complicações do novo coronavírus, a covid-19, que podem levar à morte. A orientação tem sido que eles fiquem isolados e os jovens, especialmente as crianças, mantenham distância das pessoas com mais de 60 anos.

A taxa de letalidade do vírus é considerada baixa, girando entre 2% e 3% no planeta, de acordo com a Organização Mundial da Saúde. Mais de 80% da população vai ter a doença e apresentar apenas sintomas leves. A situação muda com o avanço da idade: o índice sobe para 8% em pacientes de 70 a 79 anos e chega a 15% em maiores de 80, segundo estudo do Centro de Controle e Prevenção de Doenças da China.

Diante da situação, famílias se veem divididas entre a saudade e a necessidade de preservar a vida de pais e avós. Também não sabem como ajudá-los, tendo em vista que não podem manter contato, mas eles também não devem sair para ir ao mercado ou à farmácia. 

A recomendação dos especialistas é evitar visitas, mas ficar atento caso pais e avós necessitem de ajuda, principalmente com tratamentos médicos. E é fundamental manter contato. 

O Estado levantou dúvidas com base em questões enviadas por leitores do grupo EstadãoInforma: Coronavírus, espaço para troca de informações sobre a pandemia criado pelo jornal no Facebook. 

As respostas têm como base entrevistas com Daniel Apolinário, geriatra do HCor, e Norton Sayeg, geriatra e fundador da Associação Brasileira de Alzheimer, e também reportagens do Estado. O grupo é um espaço para discussão e troca de informações sobre a pandemia nas redes sociais. Qualquer usuário pode se inscrever e enviar suas dúvidas.

Não tenho sintomas da doença. Posso visitar idosos durante a pandemia do novo coronavírus?

O ideal é ficar distante e evitar o contato físico, porque pessoas com sintomas leves podem infectá-los. Mas isso não significa que o idoso vai ficar sem saber notícias da família ou manter contato. Dependendo da intimidade dele com as tecnologias, é possível fazer videochamadas ou trocas de mensagens por aplicativos. Se não for possível, basta recorrer ao telefone.

Como fazer a entrega de mantimentos e medicamentos para os idosos em segurança?

A pessoa pode deixar na porta da casa ou na portaria do prédio. Se ocorrer algum tipo de encontro, deve ser mantida uma distância de 2 metros do idoso. Se necessário chegar mais perto para fazer a entrega, use máscara e esteja com as mãos devidamente higienizadas. Se possível, não entre na casa, por ser um local fechado. Caso entre, retire os sapatos, mantenha distância, evite tocar nas superfícies e seja breve.

Estou em isolamento. Posso me mudar para a casa dos meus pais ou avós para cuidar deles?

Tudo depende do estado de dependência dos idosos e dos cuidados que as pessoas vão ter com as regras de isolamento e as medidas de higiene, que devem ser mantidas. As famílias precisam avaliar todas as possibilidades e as necessidades dos pais e avós para tomar as decisões.

Moro com idosos e preciso sair para trabalhar. Como protegê-los do novo coronavírus?

Essas pessoas precisam tomar muito cuidado com as medidas de proteção. Ao sair, devem evitar tocar superfícies e no rosto, manter as mãos sempre higienizadas e tentar sempre evitar aglomerações. Ao chegar em casa, devem tirar os sapatos e a roupa, fazer a higienização das mãos e evitar tocar nos idosos. O uso de máscaras de tecido é recomendado para pessoas que estão indo para a rua.

Posso ver meus parentes idosos de longe?

Caso tenha a possibilidade de vê-los a uma distância de 2 metros no quintal ou no portão de casa para conversar um pouco, não será um problema. Mas é preciso avaliar os benefícios emocionais que isso vai trazer e se vai suprir as necessidades deles. 

Os idosos devem cancelar consultas médicas?

Não, principalmente se estiverem em acompanhamento de doenças crônicas. A recomendação é usar máscara e fazer o trajeto evitando aglomerações. Continuar o tratamento é fundamental.

Quais cuidados devem ser tomados para evitar que o idoso em isolamento fique deprimido?

A família deve manter o contato por telefone ou usando aplicativos de comunicação. Dedicar um tempo para conversar, saber o que ele está sentindo, ouvir suas histórias. Para quem faz videochamada, uma opção pode ser marcar um jantar virtual em família.

Como ajudar o idoso que toma medicações controladas a manter o tratamento durante o período da quarentena? 

O contato virtual deve incluir esse tipo de conversa com o idoso. É importante demonstrar que você tem interesse nele, não apenas preocupação. 

Caso note que a pessoa está confusa ou demonstra não estar tomando os medicamentos, será preciso fazer um acompanhamento de perto para verificar se o remédio acabou ou se o idoso parou de tomá-lo. Nessa visita, todas as regras de higiene, como lavar as mãos, tirar os sapatos e usar máscara, devem ser seguidas. O importante é manter a doença crônica controlada, pois isso evita complicações e internações.

Muitos idosos são ativos. Como convencê-los a ficar em casa? 

Mais uma vez, será na base do diálogo. Cada família terá de ser criativa para desenvolver as estratégias para conscientizar o idoso. E compreender que a situação não é fácil para ele. Neste momento, é importante estar presente por meio das tecnologias existentes e mandar sempre uma mensagem de amor aos idosos. Caso eles morem em um condomínio que permita, deixe contatos de segurança na portaria. Se o idoso tiver uma relação de proximidade com o médico que o acompanha, ele também pode receber as orientações do profissional para entender a gravidade da situação. 

Receba no seu email as principais notícias do dia sobre o coronavírus

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.