Ian Noble/Pixabay.com
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Como deixar sua casa segura para os idosos

O ambiente ideal deve ser confortável, adaptável às limitações físicas e à tecnologia

Estelle Erasmus, The Washington Post

05 de fevereiro de 2022 | 05h00

Meus pais viveram juntos a vida toda, primeiro em sua casa nos subúrbios, depois em um apartamento e mais tarde em um apartamento independente dentro de uma comunidade de idosos. Mas, no ano passado, quando meu pai, sofrendo de Alzheimer, teve de receber cuidados especiais, minha mãe octogenária precisou viver sozinha pela primeira vez na vida.

Ela não é a única a enfrentar uma mudança de vida já em idade avançada. Para os milhões de idosos nos Estados Unidos (uma população que deve crescer de cerca de 58 milhões para cerca de 88 milhões em 2050), as transições de vida, como a viuvez, a doença do parceiro ou a mudança para uma casa menor depois de décadas, podem ser um grande desafio. Uma maneira de facilitar o ajuste é garantir que qualquer nova casa seja confortável, segura e adaptável às limitações físicas.

A psicóloga Nancy Schlossberg, autora de Too Young to be Old (Muito Jovem para ser Velho), diz que os idosos precisam perceber que levará tempo para se ajustar às suas novas vidas e que devem abrir um espaço para fazer o trabalho do luto pelo que deixaram para trás. “Você não vai mais viver a vida que viveu e terá de fazer grandes ajustes”, ela me disse. “Então você precisa se concentrar numa coisa: Quais são seus recursos e suportes para lidar com essa mudança?”. Alguns recebem ajuda de amigos, familiares, centros de idosos ou agências governamentais. Felizmente, minha mãe tem família por perto e o benefício de uma comunidade local.

“Quando projeto um espaço, gosto de seguir o método LOVE, que significa leve, otimizado, visual, fácil (na sigla em inglês)”, diz a designer de vida Lisa Cini, autora de Boom: The Baby Boomers’ Guide to Preserving Your Freedom and Thriving as You Age in Place, que também administra o Best Living Tech, um site que oferece produtos de qualidade de vida para idosos.

Aqui vão alguns conselhos dela para estabelecer uma situação segura no crepúsculo da vida.

Portas e pisos

Troque as maçanetas redondas (elas são difíceis de segurar quando você tem artrite) por maçanetas de alavancas e opte por portas deslizantes em vez de portas basculantes ou giratórias, que consomem espaço.

Coloque tapetes antiderrapantes nos pisos polidos e invista em azulejos antiderrapantes nos banheiros e cozinhas. Se você quiser carpete, ele deve ser plano e denso, não fofo, o que pode causar tropeços.

Iluminação

À medida que envelhecemos, menos luz chega às nossas retinas, por isso precisamos de mais luz ao nosso redor para evitar quedas e outros acidentes. Idealmente, a iluminação nos armários, corredores e debaixo da cama deve ser feita por sensores de movimento. Para deixar as escadas mais visíveis, use uma cor de tinta diferente nos degraus e certifique-se de que há um corrimão e iluminação com sensor de movimento.

Banheiro

Instale corrimãos ou barras de apoio no vaso sanitário e nos controles do chuveiro para ajudar na estabilidade. Cini também recomenda ter um bidê com luz noturna, porque economiza papel higiênico, não é abrasivo na pele e faz uma limpeza melhor, especialmente considerando que muitos idosos sofrem de artrite ou lesões no ombro que dificultam o alcance. Pinte a parede em que o vaso sanitário está com uma cor chamativa, para destacá-la de todo o resto.

Para evitar sentir os calafrios na saída do banho (perdemos gordura corporal com a idade, diz Cini), opte por uma lâmpada de aquecimento ou um piso aquecido. O chuveiro deve ter um assento, para que você possa sentar se a pressão arterial cair. Evite os degraus (por menores que sejam), instale um misturador manual para controlar a água e verifique se há luz suficiente.

Se preferir banho de banheira, selecione uma em que a pessoa possa entrar facilmente. Outra dica: peça a um encanador que coloque um dispositivo antiqueimaduras.

Sala de estar

Prefira as cadeiras ajustáveis. Se tiver uma poltrona reclinável elétrica, certifique-se de que haja uma bateria de reserva caso a energia acabe.

À medida que envelhecemos, tendemos a nos machucar mais facilmente em layouts apertados. Otimize seu espaço com mesas de centro que tenham bandejas de TV e carregadores integrados. Obtenha um cabo de extensão com um protetor contra curtos e sobrecargas e use fita adesiva dupla para prendê-lo a uma mesa, para que você não precise se abaixar para conectar itens.

Evite mesas de vidro, pois é mais difícil ver as bordas e os cantos pontiagudos. Cini sugere cobri-los com borracha de silicone transparente.

Cozinha

Livre-se de frigideiras pesadas de ferro fundido e invista em panelas e frigideiras mais leves, além de pratos com seções divididas para alimentos. Evite a necessidade de se abaixar com um forno de micro-ondas na altura dos olhos. Outra opção: iluminação sob o armário com tomadas embutidas, para não entulhar a bancada. Alguns armários superiores podem ter prateleiras ajustáveis ou mecanismos que os abaixem. Como medida de segurança, instale um desligamento automático de forno para evitar incêndios.

Quarto

Os dias de subir em camas altas acabaram. A altura adequada, diz Cini, é de 53 centímetros, o mesmo que a altura ideal de um assento. Algumas camas têm gavetas embaixo para armazenamento. Livre-se dos estribos ou de qualquer coisa que fique saliente e com a qual você possa esbarrar. Se houver um banco no final da cama, certifique-se de que ele tenha braços laterais, para que seja mais fácil se levantar.

A mesa de cabeceira deve ser grande o suficiente para acomodar óculos, medicamentos e um copo. Também deve haver uma lâmpada de leitura ou arandela, bem como uma estação de carregamento de fácil acesso. As cortinas ou persianas devem escurecer o ambiente, e é um bônus se você puder levantá-las e abaixá-las por controle remoto. Evite a desordem no chão para não tropeçar em nada, especialmente se você se levantar no meio da noite e sua pressão arterial cair, uma das principais causas de quedas.

Tecnologia e conexões pessoais

Certifique-se de que toda a tecnologia da casa esteja atualizada: serviço de internet de alta velocidade, smartphones ou tablets em funcionamento e acesso a mídias sociais ou serviços de mensagens. Um Fitbit ou um assistente de voz que usa um alto-falante inteligente, como a Alexa, pode ajudar com lembretes de medicamentos, listas de compras e previsão do tempo. E, para maior segurança, o sistema de campainha de vídeo Ring permite monitorar quem está à sua porta.

“Estudos mostram que idosos que relatam isolamento social ou solidão tendem a apresentar mais depressão e uma função cognitiva mais prejudicada ao longo do tempo”, diz a psicóloga Jameca Woody Cooper.

Cini sugere o uso de tablets para envio de fotos e vídeos e chats ao vivo. “Temos mais tecnologia em nossos carros do que em nossas casas”, diz ela. “Mas é importante pensar em como você se conectará com amigos e familiares no futuro."

TRADUÇÃO DE RENATO PRELORENTZOU

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Estelle Erasmus é jornalista premiada e professora adjunta da Universidade de Nova York que escreve a coluna “All About the Pitch” para a Writer’s Digest. Seu livro Writing That Gets Noticed está saindo pela New World Library. Encontre-a no Twitter: @EstelleSErasmus..

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