Mari Campos
Mari Campos

Como é se hospedar em um spa ayurvédico na Índia

A prática busca o constante equilíbrio dos doshas (elementos) por meio de dietas, autoconhecimento e tratamentos corporais e espirituais

Mari Campos, Especial para o Estadão

22 de janeiro de 2022 | 05h00

Inspirei profundamente. Depois de quase um mês viajando por diferentes destinos na Índia, entre caos, ruídos, tanta gente e poluição, era incrivelmente reconfortante sentir um ar tão puro entrando pelas minhas narinas. Parecia até estranho não ter ninguém ao meu redor e ouvir apenas pássaros ao longe, o farfalhar das árvores e minha própria respiração.

Passar uma semana imersa em um spa indiano baseado na medicina ayurvédica não foi de todo fácil – mas foi seguramente transformador. Instalado no sopé dos Himalaias, ao redor de Rishikesh (cidade a cerca de 300 quilômetros de Nova Délhi), o Ananda in the Himalayas é um dos poucos spas do gênero no mundo. 

Ocupa uma área de mais de 400 mil metros quadrados no alto da montanha, incluindo os jardins e o antigo palácio do marajá Tehri Garhwal, do século 19, que são hoje parte das instalações do hotel. Rodeado por vegetação nativa exuberante e o ar puro das montanhas, fica já quase na fronteira com o Nepal, com vistas arrebatadoras para o rio sagrado e a cidade que encantou os Beatles. 

Mergulho na Ayurveda

A medicina ayurvédica defende que somos compostos por três elementos (doshas) primordiais: Vata (ar e espaço), Pitta (fogo e água) e Kapha (terra e água). E que todos temos predominância de um deles, determinando nossos principais traços físicos, intelectuais e emocionais. A prática ayurvédica busca o constante equilíbrio dos doshas para que o bem-estar físico e mental seja completo – por meio de dietas, autoconhecimento e tratamentos corporais e espirituais. Por isso, a proposta do spa não é o emagrecimento, e sim a conquista do equilíbrio e do bem-estar. 

Entre as diferentes opções de programa que o hóspede pode escolher na categoria wellness há até um voltado a quem teve covid. A medicina ayurvédica, segundo diz o programa, pode auxiliar a reencontrar o equilíbrio do corpo contra os sintomas da covid longa, como dores de cabeça, dificuldades na respiração e para sentir cheiro e gosto dos alimentos.

Logo após o check-in fui encaminhada para uma longa consulta médica para identificar meu dosha dominante. É a partir desse diagnóstico que a equipe do spa elabora o programa personalizado, com cardápio de alimentação (refeições à la carte individualmente desenhadas) e atividades (exercícios, massagens, terapias, palestras). Nos programas completos, tudo está incluído no valor das diárias. 

O enorme spa ayurvédico é o coração da propriedade, com mais de 2 mil metros quadrados, 24 salas de tratamento, saunas e circuito de hidroterapia. Além dos tratamentos individuais, há atividades em grupo, como ioga, crossfit, meditação, palestras Vedanta (filosofia de vida), caminhadas e golfe. 

Os desafios da dieta

Cada hóspede recebe todas as noites um “kurta pijama” (calça e túnica unissex), branco e limpo. O uso do traje não é obrigatório, mas estimulado para que preocupações com vestuário, maquiagem e outros detalhes sejam esquecidas, para que o foco se mantenha de fato na busca pelo equilíbrio.

Com o dosha Kapha identificado como dominante no meu diagnóstico, recebi minha dieta personalizada: para meu desespero, sem café, álcool, açúcares, ovos nem laticínios. Tentei seguir o programa criado, mas negociei com a equipe médica algumas modificações no menu. Afinal, como boa jornalista, começar todos os dias sem café definitivamente não colaboraria para o meu bem-estar e relaxamento...

Para cada refeição o chef preparou um menu diferente e saboroso, com pratos bem apresentados e ingredientes muito frescos. Também concordamos juntos em incluir ovos e uma porção de carboidrato no café da manhã para manter minha paz de espírito. E me permiti abandonar a dieta no último jantar, me rendendo ao excelente cardápio indiano do hotel. Seria um crime deixar o país sem saborear um último delicioso thali! 

Prazeres não ayurvédicos também contam

A estadia no Ananda contempla também atividades realizadas fora do hotel, incluindo belas caminhadas guiadas e a descida até a cidade de Rishikesh para acompanhar a imperdível cerimônia do aarti, oferenda do fogo, realizada todos os dias ao pôr do sol, à beira do Ganges. Nesse ritual, monges tocam algumas canções enquanto são colocados presentes no rio sagrado. 

A imersão no spa ayurvédico me deu a chance de absorver de forma equilibrada (e com o ar mais puro que já encontrei por lá) tudo o que eu tinha vivenciado nas semanas anteriores viajando pelo país. Mas eu ainda tinha mais um desejo antes de ir embora. 

Rishikesh, localizada próxima à nascente do Ganges, é um dos poucos destinos nos quais o rio sagrado ainda é cristalino. Além do banho, as corredeiras formadas pela região geograficamente tão acidentada criam oportunidades perfeitas para raftings feitos de corpo e alma. Com os mergulhos na ayurveda e no próprio Ganges, voltei para casa realmente de alma lavada. 

Brasileiros vacinados podem viajar à Índia

O Ananda in the Himalayas fica a cerca de meia hora do centro de Rishikesh e a uma hora de voo desde Delhi. O hotel exige exame de PCR dos hóspedes, feito até 72 horas antes da chegada e, ao chegar, é preciso fazer um teste rápido de antígeno. Os preços variam de acordo com o programa escolhido – o detox de cinco noites, para dois, custa a partir de US$ 865.

Atualmente, para viajar à Índia, todo turista brasileiro tem de estar 100% vacinado ou ter feito teste PCR no máximo 72 horas antes do desembarque no país. 

É preciso também ter visto eletrônico e preencher um formulário online para ter seu embarque autorizado.

Por estar na lista de países com alto risco de transmissão, o viajante brasileiro tem de fazer novo teste PCR ao desembarcar na Índia – e só pode deixar o aeroporto ou tomar voo de conexão após a divulgação dos resultados. As informações detalhadas para viagens à Índia podem ser encontradas aqui

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