Terri Cnudde/Pixabay
Terri Cnudde/Pixabay

Como escolher e organizar lembranças dos filhos

Saber o que guardar não é tarefa fácil quando o assunto é a memória das suas crianças. Veja cinco dicas para se decidir e arrumar os itens depois

Nicole Anzia, The Washington Post

12 de março de 2022 | 05h00

A partir do momento em que você traz um bebê para casa, a quantidade de coisas parece se multiplicar dez vezes. E muitos itens guardam memórias e emoções, fazendo com que seja difícil se desfazer deles, mesmo quando superados ou esquecidos. Você começa se perguntando se deve ficar com o primeiro chapéu e os sapatos do seu bebê. Quando vê, já está pensando se um livro ou um animal de cerâmica pintado merece ser preservado pelos próximos 25 anos.

Escolher que cartões, fotos, uniformes, peças de arte, troféus e trabalhos escolares guardar – e fazer essas escolhas sem a menor ideia do que seu filho vai considerar especial quando adulto – é uma tarefa mentalmente exaustiva. Se você não ficar o tempo todo de olho nessas decisões, sua casa vai acabar abarrotada. 

Quem deve decidir o que é notável e digno de ser lembrado? Muitos pais, mães e os filhos adultos um dia têm de enfrentar essas questões. Veja como classificar os itens – e as emoções que os acompanham.

Menos é mais

Se você é pai ou mãe de uma criança pequena, reserve um tempo para separar os objetos e se antecipar ao problema. Designe um baú ou várias caixas resistentes para a memorabilia e, em seguida, ponha etiquetas em tudo. Os itens não precisam ser organizados com perfeição ou ordem cronológica. Resista à tentação de jogar na caixa todo e qualquer pedaço de papel que seu filho traz para casa. Defina parâmetros para o que você vai guardar e, quando estiver em dúvida sobre alguma coisa, jogue fora.

Algumas pessoas guardam todos os trabalhos escolares dos primeiros anos dos filhos. Outras mantêm boletins, fotos da escola e brinquedos favoritos. E outras escolhem só itens de eventos especiais e viagens em família. Etiquete o que você guardar com o nome e a idade. Não há regra sobre quantas caixas de lembrança são aceitáveis por pessoa, mas seja realista sobre qual será uma quantidade tolerável quando chegar a hora de passar os itens para os filhos.

Reavalie e selecione

Determinar o que guardar e o que jogar fora não é algo que você faz uma única vez. Armazene as caixas em um local acessível, para que você possa adicionar itens ou reavaliá-los com facilidade. Uma obra de arte que seu filho fez no jardim de infância pode não parecer tão extraordinária quando comparada com as peças que ele veio a criar na quinta série.

Após algum tempo, você pode decidir que basta tirar uma foto em vez de guardar o objeto. Repassar os itens que guardou vai refrescar a memória sobre pessoas e lugares que você pode ter esquecido e pode dar ideia para um presente ou projeto especial. Também é divertido olhar as lembranças com os filhos quando eles forem um pouco mais velhos.

Use a criatividade

Existem muitas maneiras de preservar, transformar e organizar memorabilia. Uma ideia popular hoje é transformar uma coleção de camisetas em uma colcha aconchegante. Uniformes esportivos e medalhas podem ser emoldurados e expostos. Cartas ou cartões-postais podem virar um livro de lembranças. E se vestidos de baile ou moletons estiverem preservados, podem acabar como algo vintage para a próxima geração de adolescentes.

Há produtos especiais para organizar e conservar canhotos de ingressos e cartazes, e existem empresas que transformam obras de arte infantis em adoráveis livros ou mosaicos emoldurados. O produto não só ocupa menos espaço do que os originais, como também é algo que pode ser apreciado pela família. As fotografias podem ser digitalizadas e enviadas eletronicamente aos familiares, eliminando a necessidade de guardar caixas de fotos e álbuns volumosos.

Converse desde cedo

Quando seu filho adulto sair de casa, lembre-o dos itens que você guardou. Avalie o interesse dele em manter a memorabilia e outros itens, relíquias ou objetos de valor bastante tempo antes de entregá-los. As pessoas muitas vezes resistem a pensar ou falar sobre as transições da vida, e é difícil fazer esses planos com anos de antecedência. Então é fundamental manter uma comunicação frequente.

Se você tem certeza de que seu filho vai querer o piano de infância, mas ele não demonstra interesse, é bom entrarem em acordo, para o piano não ficar ocupando espaço. Da mesma forma, se sabe que sua filha quer ficar com a casa de bonecas que ganhou no aniversário de 8 anos, é melhor não dá-la para a filha da vizinha.

Concorde sobre o que fica

Acima de tudo, mantenha a flexibilidade. É raro que tudo corra conforme o planejado ou que pais e filhos concordem sobre o que guardar e que peças devem ser passadas adiante. É possível que os pais precisem se mudar de casa. Os filhos adultos também podem decidir fazer uma pausa do trabalho para viajar ou não ter espaço para acomodar as caixas de lembranças e os móveis que esperavam herdar.

Em última análise, é uma questão de aceitar a realidade imperfeita da vida. Mas tente lembrar que as memórias importantes vão perdurar, independentemente de você ainda ter as lembranças físicas delas.

TRADUÇÃO DE RENATO PRELORENTZOU

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