PM de Ribeirão Corrente/Divulgação
PM de Ribeirão Corrente/Divulgação

Como ilhas, duas pequenas cidades de São Paulo são as únicas sem casos registrados de covid-19

Ribeirão Corrente e Florínea, cidades com menos de 5 mil habitantes, ficam opostas no mapa do Estado e não têm rastro confirmado do novo coronavírus

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

03 de agosto de 2020 | 15h50

SOROCABA - Apenas dois dos 645 municípios ainda resistem ao novo coronavírus no Estado de São Paulo. Até esta segunda-feira, 3, não havia casos confirmados em Ribeirão Corrente, de 4.178 mil habitantes, no norte do Estado, e em Florínea, de 2.676 moradores, no lado oposto do mapa, na divisa com o Paraná. As duas cidadezinhas estão fora de rotas rodoviárias e em áreas isoladas do interior. Até esta segunda, o Estado somava 560.218 casos e 23.365 óbitos pela covid-19.

De acordo com o governo do Estado, mais um município, Arco-Íris, não teria casos da doença. A informação foi dada pelo secretário estadual de Desenvolvimento Regional, Marco Vinholi. Mas o Estadão apurou que a cidade tem dois registros da doença, um foi confirmado na sexta-feira e outro nesta segunda-feira.

Em Ribeirão Corrente, a prefeitura está ampliando a testagem para ter certeza de que a pandemia não chegou. “Se o vírus estiver por aqui, que apareça logo para que a gente possa evitar uma disseminação maior”, disse o secretário da Saúde, Etiene Silva. Os testes, que já foram feitos em todos os servidores municipais, incluindo conselheiros tutelares, e nas pessoas com sintomas gripais, estão sendo repetidos em funcionários da saúde.

Até a manhã desta segunda, havia apenas dois casos suspeitos, mas os pacientes tinham sintomas leves. Estar entre as ‘últimas trincheiras’ contra o vírus chega incomodar, segundo o secretário. “Precisamos achar um vírus logo para acabar com essa expectativa. A gente não fez nada além do que os outros municípios fizeram. O que houve de diferente talvez seja a colaboração dos moradores com os cuidados que recomendamos”, disse.

O mais incrível, segundo ele, é que boa parte da população de Ribeirão Corrente trabalha na vizinha cidade de Franca, a 27 quilômetros, que está tomada pelo vírus. Polo regional, Franca registra 1.405 casos e 36 mortes pelo covid-19. “Todo dia saem de três a quatro ônibus com pessoas daqui que trabalham em indústrias de calçados de Franca. Eu faço o caminho inverso, pois moro lá e trabalho aqui”, explicou o secretário.

Outros vizinhos, como Ituverava (169 casos e 5 óbitos) e Guará (76 casos e 3 mortes) também têm alta infestação. A região está na fase vermelha, a mais restritiva do plano São Paulo de flexibilização. Silva conta que a prefeitura optou por não instalar barreiras sanitárias. “A cidade é bem isolada, não fica no eixo de rodovias importantes e nossos acessos são por vicinais. O comércio é pequeno, muito local, e não há chamativo turístico para as pessoas virem aqui.”

Funcionária de um dos três supermercados da cidade, a moradora Mariana Bertanha conta que ela e muitos conhecidos evitam ir às cidades vizinhas devido ao risco de pegar a doença. Desde o início da pandemia, o supermercado em que trabalha mantém os estoques abastecidos para que as pessoas não precisem ir às compras fora. “Estamos abertos das 6 às 19 horas, mas com todos os cuidados, com álcool gel em toda parte e máscara obrigatória. Os moradores estão se cuidando”, disse.

Panorama em Florínea

Em Florínea, depois de quatro meses, a prefeitura permitiu a reabertura das igrejas e templos religiosos, com restrições. “Neste domingo, foram celebradas duas missas na igreja local e os templos evangélicos fizeram cultos, mas com respeito ao distanciamento”, disse o secretário da Cultura, Ítalo Garcia. A cidade fica às margens do Rio Paranapanema, atraindo pescadores e veranistas. O município abriga também uma penitenciária com 1.686 presos.

Garcia conta que a população está ciente de que precisa colaborar para o vírus continuar distante. “Ao meio-dia, o alto falante da igreja roda uma vinheta com orientações sobre a covid-19”, disse. A prefeitura usa as redes sociais para informar sobre os casos e desmentir desinformações (fake news) sobre o vírus que circulam pela cidade. “Temos sido transparentes e estamos 24 horas por dia no ar. Se surgir algum caso, a informação será dada imediatamente”, argumentou o secretário. Nesta segunda, o boletim informava sobre oito casos suspeitos, em isolamento domiciliar.

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