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Como reduzir a gravidez na adolescência?

Dois relatórios divulgados na última semana, um no Reino Unido e outro aqui no Brasil, mostram como o País ainda precisa investir em políticas públicas impactantes para reduzir a gravidez na adolescência.

Jairo Bouer, O Estado de S. Paulo

19 Julho 2015 | 03h00

Dados do Escritório de Estatísticas Nacionais, divulgados na última quarta-feira em Londres, revelam que o número de gestações entre as adolescentes atingiu o índice mais baixo dos últimos 70 anos na Inglaterra e no País de Gales. O resultado foi revelado pelo jornal inglês The Guardian.

Apenas 20 em cada 1 mil garotas de 15 a 19 anos engravidaram e tiveram seus filhos em 2014 no Reino Unido. Apesar de baixa, a média ainda é mais elevada do que a da União Europeia (12,6 em cada 1 mil). 

Os números também mostram que a queda percebida no Reino Unido tem sido mais aguda do que nos demais países do bloco. De 2004 a 2014, a diminuição foi da ordem de 26%, enquanto na União Europeia esse recuo foi de 18%. E no Brasil? 

Por aqui, relatório do Unicef divulgado no início da semana, com pesquisa feita em oito capitais (São Paulo, Rio, Manaus, Belém, São Luís, Fortaleza, Maceió e Salvador), mostra que, em algumas regiões do País, em 26% dos partos (um em cada quatro) as mães têm de 10 a 19 anos. 

Os dados mostram ainda que as garotas jovens são mães de 8 em cada 100 bebês que nascem nos territórios com baixa incidência de gravidez na adolescência. Essa proporção sobe para 26 em cada 100 bebês nos territórios onde essa incidência é maior.

Dentro de uma mesma cidade, essa variação pode ser brutal. Em São Paulo, por exemplo, dados do DataSUS de 2012 mostram que, enquanto em Santa Cecília, no centro, a taxa de gravidez na adolescência é de 0,7%, em Cidade Tiradentes, na zona leste, esse número atinge 18,1%.

Dados do IBGE de 2013, embora revelassem uma queda importante das taxas de gravidez na adolescência nas duas últimas décadas no Brasil, mostravam grandes variações regionais, com o Norte do País enfrentando médias da ordem de 23%, enquanto no Sudeste esse índice estava em torno dos 15%. Entre as meninas com menos de 15 anos, a situação era ainda mais preocupante.

Para os especialistas ingleses, a estratégia “dez anos para reduzir a gravidez na adolescência”, que terminou em 2010, teve grande impacto ao garantir mais informação sobre sexo seguro, entre outras medidas. Por aqui, as altas taxas de gravidez na adolescência perpetuam um ciclo de pobreza e exclusão. 

Frente a tantas diferenças, estratégias distintas são necessárias para dar conta das variações regionais e das grandes desigualdades do País. Construção de um projeto de vida mais sólido, suporte para as garotas de famílias pouco estruturadas, empoderamento das meninas mais pobres, permanência na escola, acesso aos métodos contraceptivos e centros de saúde com atendimento diferenciado são algumas das possibilidades apontadas por especialistas.

* É PSIQUIATRA

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