Como tratar o fumante pesado? Médico explica

O pneumologista Clóvis Botelho, professor titular da Faculdade de Ciências Médicas e do Curso de Mestrado em Saúde Coletiva, da Universidade Federal de Mato Grosso, afirma que, entre os fumantes, somente 15 a 20% são "fumantes pesados" e, que, estes, sim, precisam da ajuda de profissional habilitado. Segundo o médico, há sintomas que permitem ao próprio fumante determinar se é "pesado" ou não: "Todo fumante que é muito dependente da nicotina é considerado pesado; isto é, aquele que acende o cigarro antes dos 30 primeiros minutos ao acordar; que sente falta do cigarro mesmo estando doente; que não consegue ir para cama sem ter cigarros em casa; e que fuma mais de 20 cigarros por dia. Se você for fumante com estas características, é melhor que procure ajuda profissional, pois você vai precisar usar medicamentos de apoio terapêutico." Motivação O médico alerta que, antes de iniciar o uso de medicação específica para parar de fumar, o fumante precisa saber de está motivado o suficiente, se mudou seus hábitos e atitudes em relação ao cigarro. "O fumante tem que passar a ter raiva do cigarro, não o elogiando como um bom companheiro. Tem que começar a sentir nojo do seu cheiro, não o cheirando como se fosse flores do cerrado, cheirando-o sem parar. A cada vez que acender um cigarro, dizer para ele que não o quer mais, que vai deixá-lo de vez. De nada adianta tomar medicamentos sem estar certo realmente do que se quer, senão será dinheiro jogado fora. O pior é que aumentará mais ainda a frustração em ver a sua total incapacidade de parar de fumar, pois as chances de recaídas, nestas situações, são enormes." Os medicamentos, segundo o pneumologista, começam a ser tomados uma semana antes do dia "D" (dia que o fumante deixará de fumar): "Isto porque os medicamentos utilizados demoram cerca de cinco a sete dias para ter seu efeito terapêutico pleno, com chances de cumprir o desejado. Não existe nenhuma receita tipo "como fazer bolo com dona Benta". Cada paciente será avaliado clinicamente, fará alguns exames complementares, para ver se existe outra doença associada." Perfil O paciente será avaliado quanto ao seu perfil psicológico, se necessitará ou não de outra especialidade (psicólogo ou psiquiatra), afirma Botelho. "Será determinado o seu padrão de consumo de cigarros, sua dependência nicotínica e problemas com ganho de peso. Somente depois de tudo isso é que o fumante estará apto a receber e a compreender a complexidade da terapêutica, e com isso irá valorizar mais cada conquista que fizer." O pneumologista diz que o arsenal de medicamentos para ajudar o fumante parar de fumar são bem conhecidos de todos. "Muitos pacientes chegam pedindo 'um remédio para parar de fumar'. Não existem remédios para parar de fumar; e sim medicamentos que irão ajudar o fumante a sofrer menos. Uma das formas de tratamento medicamentoso é a terapia de reposição de nicotina, baseada na utilização de adesivos ou da goma de mascar." Por que justo a nicotina? À pergunta "por que usar justamente a nicotina, que é a mesma droga que causa a dependência no fumante?", Botelho responde: "A explicação para isto é bem simples: vamos desmamar o fumante, gradualmente, lentamente, em cerca de dois a três meses de tratamento, diminuindo a dosagem até poder parar, até o fumante sentir confiante no seu sucesso. Enquanto isto não acontecer ele ficará usando o adesivo de nicotina, pois não existe o risco do fumante se viciar no adesivo. Com o uso do adesivo, o fumante diminuirá a fissura de fumar e, ao mesmo tempo, irá se libertando dos hábitos associados ao ato de fumar, desmanchando todas as associações positivas com o cigarro." Segundo ele, outra forma de medicação utilizada são drogas que agem no sistema nervoso central, sempre em conjunto com a reposição de nicotina. "A efetividade da associação das duas drogas é boa, alcançando boas taxas de sucesso", afirma. "A droga mais utilizada é a bupropiona, que age nos receptores cerebrais nicotínicos, liberando as mesmas substâncias relacionadas ao prazer da nicotina." "O fumante em uso desta medicação sentirá a cada dia menos vontade de fumar, pois ele estará sendo suprido as suas necessidades das substâncias que anos a anos vêm sendo injetadas no seu organismo pela ação da nicotina, diz Botelho. "O tempo de uso desta droga é maior que o da reposição de nicotina. Primeiro, nós diminuímos o adesivo até parar, só depois é que começamos a parar gradativamente com a bupropiona, podendo demorar até seis meses, dependendo do grau de dependência do fumante." Sobre o autor Clovis Botelho é também Doutor em Medicina - Pneumologia - pela Escola Paulista de Medicina / UNIFESP, em 1991 e autor dos livros Você também pode para de fumar (Editora Adeptus) e A dinâmica psicológica do tabagismo (Editora Entrelinhas) e de vários artigos sobre o tema publicados em revistas especializadas. Contatos: Dr. Clovis Botelho fbotelho@terra.com.br - 65. 3637 1471 e 65. 9982 6368 Editora Adeptus www.adeptus.com.br - e-mail: adeptus@vsp.com.br 65. 3627 6666 e 65. 3321 1313 Editora Entrelinhas www.entrelinaseditora.com.br e-mail: editora@entrelinhaseditora.com.br 65. 3624 5294

Agencia Estado,

25 de abril de 2006 | 11h43

Tudo o que sabemos sobre:
notícia

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.